Cultura

Cultura indígena do Acre que está virando referência mundial

Por
Terezinha Moreira

O Acre, na fronteira oeste da Amazônia brasileira, tornou-se um dos principais polos de projeção internacional das culturas indígenas do país. Povos originários do estado vêm levando seus saberes, artes, músicas e espiritualidades para universidades, festivais, passarelas de moda e fóruns ambientais em diversos países, transformando tradições ancestrais em pontes culturais com o mundo.


Entre os grupos mais conhecidos estão os Huni Kuin (Kaxinawá), Yawanawá, Ashaninka e Poyanawa, povos que vivem em terras indígenas no Vale do Juruá e no Alto Acre. Eles mantêm vivas práticas como os grafismos corporais, os cantos tradicionais, o uso ritualístico de plantas da floresta e uma produção artística que hoje circula em galerias e exposições internacionais.


Os Huni Kuin, por exemplo, ganharam destaque na cena artística global por meio de seus grafismos e cantos espirituais. Seus desenhos geométricos, inspirados em visões e narrativas cosmológicas, passaram a integrar exposições em museus e eventos culturais na Europa e nos Estados Unidos. O coletivo MAHKU (Movimento dos Artistas Huni Kuin), formado por artistas da Terra Indígena do Rio Jordão, no Acre, já participou de exposições em cidades como Paris, Londres e Nova York.



Outro povo que se tornou referência internacional são os Yawanawá, da Terra Indígena do Rio Gregório, no município de Tarauacá. Além da preservação de sua língua e rituais, os Yawanawá passaram a promover festivais culturais que atraem visitantes de diversos países. Lideranças do povo também participam de encontros internacionais sobre espiritualidade, medicina tradicional e proteção da floresta.


Os Ashaninka, no município de Marechal Thaumaturgo, também projetaram o Acre no cenário global. Conhecidos pelo trabalho de reflorestamento, artesanato e diplomacia indígena, eles mantêm parcerias com universidades, organizações ambientais e instituições culturais da Europa e da América do Norte, sendo frequentemente convidados para conferências sobre sustentabilidade e povos tradicionais.



A presença internacional dessas culturas também ganhou força nas redes sociais, onde jovens indígenas do Acre compartilham vídeos, músicas, pinturas corporais e histórias em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube. Essa visibilidade digital tem ajudado a romper o isolamento geográfico e aproximar públicos urbanos do Brasil e do exterior das tradições amazônicas.


Mais do que expressão artística, a cultura indígena acreana se transformou em uma poderosa ferramenta de afirmação política, ambiental e identitária. Ao levar suas vozes para o mundo, esses povos não apenas preservam seus modos de vida, mas também ajudam a redefinir a forma como a Amazônia é vista: não apenas como um território de recursos naturais, mas como um espaço vivo de conhecimento, arte e civilização.


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Terezinha Moreira