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Exagerada, Coração Acelerado é a primeira novela mexicana feita pela Globo

João Raul (Rafael Rara) em Coração Acelerado: marca de cerveja em destaque - Reprodução/TV Globo
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Quem acompanhou a estreia de Coração Acelerado nesta segunda (12) pode ter tido a sensação de que errou de canal. A novela das sete da Globo exagera tanto no melodrama que frequentemente soa artificial, evocando mais as novelas mexicanas exibidas à tarde pelo SBT –como A Dona (2010)– do que um retrato reconhecível do Centro-Oeste brasileiro. O contraste com Rensga Hits!, que explorou o mesmo cenário com muito mais apuro, é inevitável.

A história já nasce carregada, o que tornaria dispensável qualquer sublinhado adicional da direção. Ainda assim, a mão pesa e empurra boa parte do elenco para fora do tom, com raras exceções. A mais curiosa delas é Leandra Leal, escalada justamente para a vilã Zilá –personagem que, em tese, reunia todos os ingredientes para soar artificial, mas que acaba escapando desse destino.

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O clima é tão postiço que Agrado (Rafaela Justus/Isadora Cruz) parece mais prestes a entoar “gaivota, que voa longe, voa tão alto” –tema da colombiana Café com Aroma de Mulher (1994)– do que qualquer moda de viola brasileira. O próprio nome da personagem, com um pé fincado no espanhol, reforça essa sensação de deslocamento.

O problema é que, em vez de herdar o melhor das novelas latinas, Coração Acelerado opta por sua face mais datada. O drama rasgado descamba para o exagero, os figurinos beiram a caricatura, e a impressão geral remete às produções de baixo orçamento do início da Televisa –um estágio que a teledramaturgia latino-americana já superou há tempos.

O folhetim ainda decidiu condensar uma espécie de “primeira fase” em menos de 40 minutos, com direito a assassinato, troca de medalhinhas entre os protagonistas e juras de amor eterno. Tudo acontece com tamanha pressa que a marca de cerveja que comprou espaço publicitário pareceu ganhar mais relevo do que a própria narrativa –e, de fato, ganhou. O resultado é um clima ainda mais irreal, com modelos vestidas de cowgirl celebrando um festival, copo em punho, ostentando em letras garrafais o nome da dita-cuja.

Houve, claro, pontos positivos. Um dos planos abertos em que Roney (Thomás Aquino) conversa com João Raul (Rafael Rara/Filipe Bragança) foi feliz ao retratar o Centro-Oeste: a arquitetura colonial em destaque, as casas caiadas e as janelas coloridas transportam o telespectador imediatamente para Goiás Velha (GO) ou a pracinha central de Chapada dos Guimarães (MT). Pena que isso não se traduziu também na história.

A produção musical também se destaca, com canções chiclete compostas sob medida para a trama –especialmente a que João Raul apresenta no festival. Já Luellem de Castro roubou a cena no encerramento, precisando de poucos segundos para fazer sua personagem soar verossímil como uma mistura de Rafa Kalimann e Kenya Sade à frente do Circuito Sertanejo.

Coração Acelerado estreia como uma novela dividida entre boas intenções e escolhas estéticas equivocadas. Quando acerta, revela potencial; quando exagera, afasta-se da própria identidade que tenta construir.

Resta saber se, passada a ânsia de impressionar logo no primeiro capítulo, a trama encontrará um tom mais seguro –e menos caricato– para fazer o coração do público bater no ritmo certo.

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