Quem vigia o nosso sistema bancário: o Banco Central ou o TCU-Tribunal de Contas da União?
A liquidação do Banco Máster foi decretada pelo nosso Banco Central, a autoridade que tínhamos como suficientemente competente para tomar tão delicadíssima e elevadíssima punição. Entretanto, eis que veio o nosso TCU-Tribunal de Contas da União e a questiona.
Tal decisão nos faz lembrar a questionamento filosófico e bastante antigo de autoria do poeta Juvenal: “Quis custodiet ipso custodes?”, ou seja, “quem vigia o vigia?” Daí a pergunta: como se controlar àqueles que são detentores de poder, particularmente, os governos e seus potenciais acumpliciados?
Sobre a liquidação do Banco Máster, antes da sua decretação, o próprio banco já vinha demonstrando, até mesmo aos minimamente informados, que algo muitíssimo estranho estava acontecendo, a se destacar, os excessivos dividendos que ofertava aos seus clientes.
De mais a mais, aquele que havia se tornado seu controlador, ou mais precisamente, o seu dono, no caso, um sujeito de nome Daniel Vorcaro, não dispunha de um histórico que o recomendava a tomar assento nas reuniões, menos ainda, para propor sugestões que efetivamente viessem melhorar o nosso sistema bancário, entretanto, não mais que em uma dezena de anos, tenha sido o bastante para que o dito cujo se transformasse num figurão, prestigiado nacionalmente, não apenas no nosso sistema bancário, sim e também, no nosso ambiente político.
Enquanto suas trapaças se expandiam, e isto nas barbas de nossas instituições, naquilo que sabia fazer como ninguém, Daniel Vascaro promovia as suas espetaculares festanças, nas quais, até mesmo os lulistas e bolsonaristas se faziam presentes, não apenas para degustar os vinhos e os whisky mais distintos e mais caros do mundo, sobretudo, para prestigiá-lo.
Se no cemitério onde estão sepultados os cadáveres de vários dos nossos bancos, entre eles, o Econômico, o Nacional e o Bamerindus, pergunta-se: por que o Banco Máster não foi impedido, e a tempo, antes de haver consumado a fraude que havia planejado?
Portanto, muito nos preocupa quando tomamos conhecimento das discordâncias entre o nosso Banco Central e o nosso Tribunal de Contas da União, quando o Banco Máster, ou mais precisamente, o criminoso Daniel Vascaro, ao invés de se encontrar preso, continua trabalhando com a hipótese de retomar o controle do referido banco, ou seja, da organização criminosa que havia criado e se expandido.
Caso esta questão nos venha ser decidida por quem tenha autoridade para tanto, e caso venha ser decida pelo nosso STF, o mesmo passará a ser acuado de se meter em coisas que não lhes competem.