Foto: reprodução/Kennedy Santos
A notícia da prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que movimentou a política internacional nas últimas semanas, reacendeu sentimentos diversos entre venezuelanos que vivem fora do país. Em Rio Branco, migrantes acolhidos na casa abrigo acompanharam os desdobramentos com atenção, esperança e também incertezas sobre o futuro.
Em uma reportagem do videomaker do Ac24horas, Kennedy Santos, conversou de forma direta com homens, mulheres e famílias venezuelanas que hoje vivem na capital acreana. Os relatos trazem lembranças da vida na Venezuela, opiniões sobre o atual momento político e expectativas em relação aos próximos anos, seja no retorno ao país de origem ou na tentativa de recomeçar no Brasil.
Aos 71 anos, o venezuelano Otaviano busca trabalho e pede ajuda para conseguir retornar à Venezuela. Antes de chegar ao Acre, ele viveu por quatro anos no Chile. Segundo ele, não acredita que o cenário político do país mude de forma significativa nos próximos anos.
“Quero voltar por minha família, não quero morrer tão longe, quero estar com minha família”, afirmou.
Já a jovem Ema, que sonha em ser veterinária, disse que tem vontade de voltar ao país natal, mas apenas se houver mudanças reais nas condições de vida da população.
“No meu país não temos apoio para estudar, quero estudar o que eu gosto e buscar meu futuro”, relatou. Questionada pelo repórter se voltaria à Venezuela, respondeu: “Sim, se a situação melhorar e eu tiver a possibilidade de estudar, sim”.
Com capacidade para receber 50 migrantes, a casa de acolhida abriga atualmente mais de 60 pessoas. A coordenadora do espaço, Carla Adriana, afirmou que o local não comporta todos que chegam em busca de abrigo e que muitos acabam ficando em situação de rua.
Ao serem questionados sobre o que sentiram ao saber da prisão de Nicolás Maduro, a maioria dos entrevistados disse estar aliviada.
“Senti alívio. Nós deixamos nosso país e estamos aqui por culpa dele”, disse uma venezuelana.