Porque hoje é sábado

Dia de jogo na rua do futuro

Por
Francisco Braga

Aí o amigo Cleber chegou. A gente, a turma toda lá do Bar do Bigode, do Bar do Papinha e mais a galera do finado jornal Página 20 e uma pancada de gente do bem assistia apreensiva, pela televisão da casa da Soraya, situada na Rua do Futuro, uma partida de futebol, da Copa do Mundo. Brasil e Argentina.


Foi uma tarde deliciosa. Le Tonhõ, o cheff da hora, o Antonio Júnior preparava uma de suas magníficas iguarias. Era uma canela de boi, o cozidão de Le Tonhõ. A casa tava lotada. Tinha churrasquinho de bananinha orquestrado pelo Márcio Chocorosqui, camarão, lingüiça com trema e tudo mais. E tinha muita bebida gelada e até cafezinho e chá de boldo. Não esquecendo a bela piscina aérea no quintal matagalhado.


Chegava gente, entrava. Cada uma trazendo sua bandeira verde-amarela, seu apito e sua vuvuzela. Era uma zoada só. E todo mundo ria e se divertia e torcia pela seleção canarinha. Tinha até uns patrícios da Bolívia sendo felizes conosco. E era criança correndo praqui, pracolá. Criatura surgindo e evaporando, no rumo do único banheiro da residência, outrora bem limpinho e perfumado.


Menino escorregando na macaxeira cozida demais, misturada com farofa esparramada no assoalho, se escangalhando na varanda e a bandeirola bem na frente da televisão, mesmo na hora que o Ronaldinho ia bater o escanteio. “Ó o mei, menino mala, fela da gaita! Esse fi de égua num tem pai não?”. Era o filho dele mesmo. Inda levou uns catiripapos da esposa, Dona Tâia Borges, mulher do Luiz Antõe!


Pelo portão arruarado eis que surge o que faltava, aquele a quem todos esperavam. Montado em sua barulhenta e indefectível motocicleta azul adentrou ladeira acima, pra dentro da casa dos amigos da hora, que gritaram e aplaudiram sua tão heroica entrada, sua tão esperada presença. Arreou, pernapassou, descapaceteou e, com aquela cara de Didi Mocó do Serrado, o lindo Cleber perguntou a quem pudesse escutar: Vocês estão torcendo pra quem?


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Francisco Braga