Política

Bittar minimiza ato na Ufac e critica cobertura da imprensa sobre manifestações do ato do 8 de janeiro

Por
Whidy Melo

O senador Márcio Bittar (PL/AC) reagiu de forma crítica às manifestações realizadas na Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac), que marcaram os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. Em entrevista ao ac24horas, nesta sexta-feira, 09, o parlamentar minimizou a mobilização e questionou tanto a representatividade do ato quanto a cobertura jornalística dada ao evento.


Ao comentar a manifestação, Bittar afirmou que o ato teria sido esvaziado e restrito a um pequeno grupo. “Devia ter 15 pessoas. Aí falam ‘a sociedade civil’. Sindicato tem um, dois, dez, vinte, trinta, quinhentas pessoas. É esvaziado, só representam eles mesmos”, declarou.


O senador também reagiu às críticas feitas por docentes e representantes da comunidade acadêmica sobre a redução de recursos e a dependência de emendas parlamentares para o funcionamento da Universidade Federal do Acre. Segundo ele, o problema da educação brasileira não está na falta de recursos, mas na gestão e nos resultados apresentados.


“Quanto gasta o Brasil do seu PIB com educação? O Brasil é o país que mais gasta com educação, mais do que a média de todos os países da Europa Ocidental. E qual é o lugar que nós ocupamos em educação no mundo? Estamos entre os 20 piores”, afirmou.


Questionado sobre a responsabilidade dos atuais governos federais pela situação do ensino superior, o senador direcionou suas críticas à esquerda e aos governos anteriores. “A esquerda governa o Brasil há quantos mandatos? São nove mandatos comandando o Brasil. A educação é resultado de quem?”, disse. Na mesma linha, ampliou o argumento para outras áreas, como a segurança pública. “Um quarto da população brasileira está subordinada à facção criminosa. É culpa de quem? Do Bolsonaro?”, questionou.


Bittar voltou a insistir que o volume de recursos destinados à educação já seria elevado, rejeitando a tese de que cortes orçamentários representem uma “depredação” do ensino superior. “Nós gastamos mais de 6% do PIB brasileiro em educação e estamos entre os 20 piores países. É culpa de quem? Falta de dinheiro? Ainda querem mais dinheiro?”, afirmou.


Além das críticas ao movimento e às reivindicações dos professores, o senador demonstrou incômodo com a forma como o tema foi tratado pela imprensa. Segundo ele, a cobertura teria sido direcionada politicamente. “Eu vejo as matérias que vocês [imprensa] fazem, elas são todas para a esquerda”, disse.


De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil investe cerca de 4,9% do seu PIB em educação (todos os níveis), um percentual próximo à média da OCDE, mas o grande problema é o baixo gasto por aluno no ensino superior (cerca de US$ 3.700, um terço da média da OCDE), pois o valor total é dividido por uma base estudantil muito maior, resultando em menos recursos por estudante em comparação a países ricos, apesar da proporção do PIB ser razoável.


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Whidy Melo