Leo (Clara Moneke) no capítulo de quarta (7) de Dona de Mim: novela derrapou na construção da mocinha - Reprodução/TV Globo
Depois de 218 capítulos, Dona de Mim finalmente chega ao fim nesta sexta-feira (9) com sensação de dever cumprido. A audiência foi boa e a história caiu no gosto do público, apesar de uma longa barriga (período em que nada de relevante ocorreu) e com mais dramas jurídicos do que muitas séries de advogados. A autora Rosane Svartman, porém, tropeçou feio justamente onde não poderia errar: na construção da sua mocinha.
Leo (Clara Moneke) que deveria ser a força motriz da história, se tornou uma personagem passiva, sendo apenas carregada por tudo o que acontecia à sua volta. Para alguém que repetiu tantas vezes que era “dona de si”, a heroína estava mais para uma banhista levada para lá e para cá pelas ondas do mar.
E isso não é demérito de Clara Moneke, que conseguiu tirar leite de pedra e mostrou que tem talento de sobra para ser protagonista de novelas –ela merece, porém, uma personagem à sua altura.
A atriz de 27 anos pegou as melhores características da Katelícia e provou que seu sucesso em Vai na Fé (2023) não foi fogo de palha. Ainda fez todo mundo esquecer a Caridade de No Rancho Fundo (2024) –se é que alguém ainda se lembrava de que ela esteve na trama das seis.
O problema de Dona de Mim é que a heroína batalhadora foi construída para fracassar. Toda e qualquer tentativa de evolução da personagem era prontamente boicotada –não pelos vilões da história, que quase não interferiram diretamente na trajetória de Leo, mas por atitudes da própria heroína, que largou o seu maior sonho para voltar a ser babá.
Os três romances da mocinha também passaram longe de despertar paixões do público e torcidas diferentes: afinal, alguém acreditava mesmo que Marlon (Humberto Morais) tinha alguma chance de superar Samuel (Juan Paiva) no coração de Leo na reta final da história?
E o que dizer do romance da mocinha com Davi (Rafael Vitti), coitado, que não passou de uma pegação sem compromisso logo no início da história e deixou o rapaz sem muito rumo por mais de 180 capítulos?
Defensores vão dizer que o relacionamento mais importante de Dona de Mim não era o de Leo com seus possíveis pares, mas sim o dela com Sofia (Elis Cabral). É verdade, mas esse laço entre as duas também passou longe de ser bem desenvolvido.
O carinho de Leo pela menina não é saudável, e encarar a herdeirinha da Boaz como uma substituta para sua filha que morreu antes de nascer é grave. Para piorar, a bebê se chamava Sophya –uma decisão que revela a falta de sutileza de Rosane e que subestima completamente o público da trama, algo atípico até para a própria autora.
Para qualquer um que acompanhou a novela do início ao fim e que vai ver a mocinha adotar Sofia junto com Samuel para conseguir seu final feliz e formar uma família de comercial de margarina, fica claro que Leo não precisa de uma filha, mas sim de terapia. Urgentemente.