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Três anos após tentativa de golpe, Ufac recebe organizações e movimentos sociais

Foto: Whidy Melo/ac24horas
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Organizações políticas, sindicais, estudantis e movimentos sociais realizam, nesta quinta-feira (8), um ato público no auditório da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac), no campus da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco. A atividade integra a mobilização nacional com o tema “8 de janeiro – Brasil soberano: liberdade e dignidade aos povos”, em memória aos três anos da tentativa de golpe contra a democracia brasileira, ocorrida em 8 de janeiro de 2023.

O encontro teve como objetivo promover uma reflexão coletiva sobre os desdobramentos políticos, jurídicos e sociais daquele episódio, marcado pela invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília. O debate também abordou o enfrentamento ao extremismo antidemocrático e os desafios permanentes para o fortalecimento da democracia no país, destacando o papel das universidades e dos movimentos sociais na preservação da memória e do pensamento crítico.

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Ao ac24horas, a presidente da Adufac, Letícia Mamed, ressaltou a importância simbólica e política de realizar o ato dentro de uma universidade federal. Para ela, o espaço acadêmico é essencial para a construção da consciência democrática. “A importância desse ato, principalmente, é que ele está acontecendo dentro da universidade federal, dentro de um ambiente de aprendizado”, afirmou. Segundo Mamed, a universidade tem o dever de trabalhar a memória histórica como forma de evitar retrocessos. “O 8 de janeiro foi um evento de afronta recente à nossa democracia. Relembrar o que aquilo significou é fazer com que isso não se repita”, disse.

Foto: presidente da Adufac, Letícia Mamed I Whidy Melo/ac24horas

Ao relacionar o 8 de janeiro com o passado autoritário do país, a presidente da Adufac lembrou que as universidades foram alvos frequentes durante a ditadura empresarial-militar. “Essa é uma sombra que permanece sobre as universidades, não por acaso. A universidade é o local do pensamento crítico e, por isso, sempre será alvo de projetos políticos que se colocam contra o bem público e contra a democracia”, afirmou. Para ela, os ataques de 2023 repercutiram diretamente no meio acadêmico. “O que o 8 de janeiro significou, dentro da gravidade daquele acontecimento, repercute sim dentro da universidade. Houve manifestações de repúdio, mas também de apoio, e é preciso enfatizar que a universidade faz o repúdio ao que o 8 de janeiro representa em termos de valores ditatoriais e autoritários”, disse.

Letícia Mamed também abordou os impactos políticos e financeiros enfrentados pelas universidades federais. Segundo ela, a redução dos orçamentos tem comprometido a autonomia universitária. “As universidades vêm tendo seus orçamentos reduzidos a patamares de 2014 e 2015, enquanto atendemos um público cada vez maior, com mais demandas e mais estrutura”, explicou. Nesse cenário, a dependência de emendas parlamentares se torna um problema estrutural. “O orçamento público acaba sendo capturado por um parlamento que condiciona os recursos a interesses eleitorais, e as universidades se tornam vítimas perfeitas disso”, afirmou.

Para a dirigente sindical, esse modelo compromete a gestão democrática. “Quando um deputado define para onde vai uma emenda, isso não é definido pela comunidade acadêmica. Não passa por um fórum democrático, como o conselho universitário. Isso não é republicano e não é democrático”, criticou. Ela defendeu que a autonomia e a gestão coletivizada são princípios fundamentais da universidade pública. “As prioridades deveriam ser definidas por docentes, discentes e técnicos administrativos, e não em reuniões privadas de gabinete”, concluiu.

O ato também conta com a participação de estudantes. O universitário Artur Silva, integrante da juventude do Partido dos Trabalhadores (PT), destacou o impacto emocional do 8 de janeiro para quem defende a democracia. “Foi um momento de grande terror. Ver aquela multidão destruindo um espaço que é do Brasil, do povo brasileiro, e não de um grupo específico, é aterrorizante”, afirmou. Segundo ele, as cenas de destruição causaram medo e indignação. “A gente não consegue entender como alguém diz que defende o país destruindo ele”, disse.

Para Artur, a mobilização na Ufac teve como principal objetivo manter viva a memória do ocorrido. “O ato de hoje é para lembrar aquele dia e reforçar que a democracia deve ser respeitada”, afirmou.

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