Menu

Jorge Viana defende crédito ao pequeno produtor e aposta no café para ampliar exportações do Acre

Receba notícias do Acre gratuitamente no WhatsApp do ac24horas.​

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, concedeu entrevista às plataformas digitais do ac24horas e ao ac24agro nesta quarta-feira, 7, e falou sobre as exportações brasileiras, que alcançaram, pela primeira vez, US$ 348,7 bilhões em um ano marcado por tensões internacionais, tarifários e queda nos preços das commodities.


Segundo ele, o resultado é reflexo da retomada da diplomacia presidencial conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Nosso governo federal, em articulação com os estados e com o setor produtivo, colheu o resultado de muito esforço. Superamos o tarifário. Claro que foi uma expressão, uma forma de linguagem dizer que ‘tarifa se come com farinha no agro’, não é bem assim. Foi um momento de muita dificuldade que conseguimos superar. E eu acho que funcionou a diplomacia presidencial. O presidente soube esperar o momento certo para conversar com o presidente Trump”, afirmou.

Publicidade



Jorge destacou ainda a importância das missões presidenciais. “Foram 19 missões organizadas pela Apex com a presença do presidente Lula junto a empresários, além de cinco missões organizadas quando ele ainda era vice-presidente. Ao todo, foram 24 missões, com a participação de cerca de 8 mil empresários no mundo inteiro. Então, não é só o trabalho da Apex que fez essa colheita, mas também o trabalho da Apex somado ao Itamaraty, ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e ao Ministério da Agricultura, onde o ministro Fábio foi incansável, para alcançarmos esses números, com a abertura de mais de 500 mercados. Os números nos animam a começar 2026 com otimismo”, comentou.


Viana também destacou os números do fluxo de comércio. De acordo com ele, o Brasil registrou crescimento nas importações, que avançaram 6,7%, o que considera positivo. “Isso mostra que o país está modernizando sua indústria, substituindo equipamentos obsoletos. Importar com qualidade também é importante”, avaliou. As exportações cresceram 3,5%, enquanto o fluxo total de comércio exterior do Brasil aumentou 5,7%. “No mundo, o crescimento foi de apenas 2,4%. Ou seja, o fluxo de comércio do Brasil cresceu mais que o dobro da média mundial. Estamos exportando e importando acima da média global, o que demonstra dinamismo econômico”, acrescentou.


O chefe de inteligência da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, falou sobre o cenário internacional, o tarifário e as ações da agência nesse contexto. Ele explicou a diferença fundamental entre o tarifário e as medidas de salvaguarda, destacando que, desde abril do ano passado, houve um acirramento das medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, não apenas contra o Brasil, mas também contra diversos parceiros comerciais.


Segundo ele, trata-se de uma medida unilateral, que não passou pelos mecanismos multilaterais normalmente utilizados para a imposição de tarifas, como os da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Medidas como salvaguardas, dumping ou compensatórias passam por investigações e ritos multilaterais. A medida americana não. Foi unilateral. Essa é a primeira grande diferença”, explicou.


Ribeiro acrescentou que, no caso da salvaguarda aplicada pela China, por exemplo, há mecanismos de investigação, com devido processo legal e várias etapas antes da implementação. “No caso específico do Brasil, a medida americana começou em abril e foi agravada a partir de julho, com o chamado ‘tarifário’, com sobretaxas que chegaram a 40%, somadas a mais 10%. Recentemente, algumas atenuações ocorreram, com a retirada de vários produtos da lista. Hoje, o conjunto de produtos afetados é bem menor do que no início”, ressaltou.


Jorge Viana revelou ainda que o ano passado não foi fácil, mas que o Acre teve o melhor desempenho do Brasil. Isso ocorreu principalmente em razão da queda nos preços das commodities, apesar do aumento no volume exportado. O petróleo também teve papel relevante. “O Brasil é hoje um grande produtor de petróleo graças ao pré-sal, descoberto no primeiro governo do presidente Lula, com tecnologia desenvolvida pela Petrobras”, pontuou.



Jorge Viana: Acre registra superávit histórico de US$ 93,7 milhões no comércio exterior

Ao falar do Acre, Viana destacou que o estado exportou mais de R$ 500 milhões em 2025, um número histórico. “Nunca tínhamos alcançado isso. A maior exportação anterior havia sido de cerca de 50 milhões de dólares, em 2022. Em 2024, chegamos a 87 milhões de dólares, um recorde histórico. Em 2025, alcançamos 98,9 milhões de dólares, ultrapassando os 500 milhões de reais”, afirmou.


De acordo com ele, os principais produtos exportados foram carne bovina (US$ 27 milhões), carne suína (US$ 17 milhões), soja (US$ 20 milhões), castanha-do-brasil (US$ 12 milhões) e madeira (US$ 5 milhões). A castanha, conforme ressaltou, tem papel social relevante, pois gera renda para pequenos produtores, seringueiros e extrativistas, com destaque para a Cooperacre e outras empresas.


“Nos últimos dois anos, 2024 e 2025, o Acre praticamente dobrou suas exportações. Enquanto estados como Ceará, Goiás e Mato Grosso registraram queda, o Acre cresceu cerca de 90% em 2024 e mais de 10% em 2025. O fluxo de comércio do Acre chegou a 104 milhões de dólares, com superávit de 93,7 milhões, dinheiro que entrou diretamente na economia acreana”, destacou.


O presidente da ApexBrasil afirmou ainda que a pecuária bovina e a suinocultura avançaram de forma significativa. “Hoje, boa parte da carne suína consumida no Peru sai da Dom Porquito, um projeto iniciado ainda no governo Tião Viana, ligado à Estrada do Pacífico. O Acre é o estado brasileiro mais próximo do Pacífico, e esse projeto começa a se materializar”, disse.


Além da soja, segundo Viana, o Acre exporta castanha, madeira, carne bovina e suína, e deve passar a exportar café. “Com o trabalho da Apex e de parceiros locais, o café robusta amazônico tem grande potencial. A expectativa é exportar entre 2 e 5 milhões de dólares já nos próximos ciclos”, afirmou.



Jorge Viana também destacou os desafios das políticas públicas para garantir que esse ambiente de exportação resulte em distribuição de renda. “A abertura de mercados é fundamental, mas é preciso fortalecer políticas públicas de crédito e financiamento, especialmente para pequenos produtores de café, cacau e açaí. Hoje, ainda é difícil para um pequeno produtor conseguir crédito para implantar áreas irrigadas. Isso precisa mudar com articulação entre governos, bancos e cooperativas”, defendeu.


Segundo ele, o modelo adotado na Dom Porquito mostra que isso é possível. “O Banco da Amazônia financia os produtores, tendo a empresa como avalista. Esse modelo pode ser replicado no café, no açaí e na castanha. Exportar é papel da Apex, mas produzir exige apoio local”, salientou.


Sobre política, Jorge Viana afirmou que sua pré-candidatura ao Senado está posta, mas que a decisão final será tomada após diálogo e reflexão até abril. Ele destacou a importância do Senado, onde o Acre tem peso igual ao de estados maiores, e lamentou a polarização política e a falta de foco em projetos de desenvolvimento. “A política está difícil, marcada por conflitos e ataques, enquanto o Acre enfrenta desafios reais”, afirmou. Mesmo assim, disse estar otimista e disposto a contribuir. “Com união, planejamento e trabalho, o Acre pode chegar a um bilhão de reais em exportações. O caminho está posto”, concluiu.


ASSISTA AO VÍDEO:

video
play-sharp-fill


INSCREVER-SE

Quero receber por e-mail as últimas notícias mais importantes do ac24horas.com.

* Campo requerido