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Venezuelano acolhido no Acre relata impacto de 25 anos de crise e diz sonhar com retorno ao país

Foto: David Medeiros
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Acolhido há três meses em Rio Branco, o venezuelano Nahum Soliz, de 43 anos, falou na manhã desta segunda-feira, 05, sobre a situação política, econômica e social da Venezuela e os efeitos de uma crise que, segundo ele, já dura 25 anos. Atualmente vivendo na Casa de Apoio aos Venezuelanos, na capital acreana, Soliz está no Brasil com o filho, um bebê que ainda não conhece a terra natal da família.


Durante entrevista à imprensa, Nahum afirmou que a possível saída de Nicolás Maduro do poder representa esperança para os venezuelanos que vivem dentro e fora do país. “O que Maduro já saiu do poder representa para nós um grande sucesso para os venezuelanos, já que sabemos que através disso haverá um câmbio positivo para nossa nação”, declarou.

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Segundo ele, o longo período de governo afetou profundamente o país. “Nossa nação já viveu um processo de 25 anos de ditadura, que afetou a economia do nosso país e não somente a economia, mas também o sistema social. Afetou a família, afetou o lar”, disse.


Soliz relatou ainda a experiência pessoal como imigrante. “Estou aqui no Brasil há três meses, estou aqui com o meu bebê, que não conhece a Venezuela. O desejo do nosso coração e de todos os imigrantes venezuelanos é voltar à sua nação, mas uma nação com princípios, com valores, com respeito, com tolerância”, pontuou.


De acordo com Nahum, a repressão política impede manifestações públicas no país. “Em minha nação não se pode falar publicamente do sistema de governo, porque a pessoa é reprimida e é dominada pelo poder que atualmente a registra”, afirmou.


Ele também comentou o cenário internacional e as expectativas de mudança política. “Nós realmente precisamos de um câmbio em nossa nação, positivo, através desta situação que se está vivendo atualmente com a saída de Maduro”, disse, acrescentando que acompanha declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump sobre a crise venezuelana.


Ao destacar o contraste entre riqueza natural e pobreza social, Nahum questionou a realidade vivida pela população. “A Venezuela é um país rico de riquezas minerais e naturais. Nosso país é o segundo país com maior petróleo em nível mundial. Além disso, goza de minerais. Como um país tão rico pode viver com tanta miséria? Com tanta decadência?”, questionou.


O venezuelano também relatou o colapso dos serviços públicos. “Há 25 anos que nossos filhos jovens foram afetados, sem poder ir à universidade porque não têm recursos para fazê-lo. Universidades fechadas, hospitais danados, fechados, colapsados pela situação. É muito difícil o que nós vivemos durante 25 anos de ditadura”, disse.


Para Soliz, projetos políticos baseados em revoluções não trouxeram prosperidade. “Não enriquece, mas empobrece. O povo não precisa de regalias. O povo precisa de trabalho, um salário adequado e um salário propício. Nós não precisamos que nos regalem nada, nós precisamos de dignidade, tolerância, respeito”, destacou.


Ao final, Nahum resumiu a esperança que o mantém firme mesmo longe de casa. “Estamos aqui, dando nossa cara como venezuelanos, acreditando que veremos um melhor futuro no dia de amanhã e que meu bebê poderá conhecer a sua avó”, finalizou.


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