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Pedra na vesícula lidera cirurgias no Acre e já atinge crianças, alerta cirurgião

Foto: Iago Nascimento/ac24horas
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O médico e apresentador Fabrício Lemos entrevistou nesta segunda-feira (5), no programa Médico 24 Horas, exibido no ac24horas.com e nas redes sociais do jornal, o cirurgião geral Dr. Yótaro Suzuki, um dos profissionais com maior tempo de atuação no Acre. Com quase quatro décadas dedicadas à cirurgia no estado, Suzuki falou sobre a evolução da medicina acreana, os desafios técnicos enfrentados ao longo da carreira e as transformações recentes na política de interiorização da saúde.


Durante a entrevista, o cirurgião relembrou o início de sua trajetória no Acre, em 1988, quando a escassez de profissionais obrigava os médicos a exercerem múltiplas funções. “Naquela época, o clínico ajudava o cirurgião, o anestesista também era ortopedista, legista, fazia de tudo. Era o que tinha para atender a população”, afirmou. Segundo ele, esse cenário exigia formação ampla e disponibilidade constante, especialmente em situações de emergência.

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Suzuki destacou que grande parte de sua experiência profissional foi construída no interior do estado, onde enfrentou condições extremamente limitadas. Ao mencionar sua passagem por Sena Madureira e Manoel Urbano, lembrou episódios marcantes da prática cirúrgica fora da capital. “Em Manoel Urbano, fizemos a primeira cesariana. A paciente chegou no fim do dia, vindo do seringal, chovendo, sem avião para removê-la. Tivemos que encarar a situação ali mesmo”, relatou. Para ele, essas vivências mostraram que a cirurgia no interior é possível quando há preparo e compromisso. “A gente foi mostrando que é possível fazer coisas maravilhosas no interior”, disse.


Um dos principais temas da entrevista foi o programa Opera Acre, apontado pelo cirurgião como um divisor de águas na saúde pública estadual. “Não tenho dúvida de que o Opera Acre é um sucesso. Ele promove a inclusão de todos os pacientes cirúrgicos do interior do estado”, afirmou. Suzuki atribuiu o avanço à decisão política de estruturar o programa e ao uso de recursos que permitiram ampliar a oferta de cirurgias após a pandemia. Segundo ele, o impacto é visível na descentralização dos atendimentos e no fortalecimento de polos regionais. “Hoje, municípios como Mâncio Lima conseguem operar pacientes de várias cidades da região”, explicou. Os dados do programa reforçam a avaliação do cirurgião. De janeiro a outubro de 2024, o Opera Acre realizou 12,8 mil procedimentos em todo o estado. O número reflete o êxito da iniciativa da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) em reduzir a demanda reprimida e oferecer respostas concretas à população que aguardava por cirurgias eletivas.


No campo técnico, Suzuki chamou atenção para o perfil das cirurgias mais realizadas atualmente no Acre. De acordo com o médico, a retirada da vesícula biliar é, disparadamente, o procedimento mais frequente. “De dez consultas no ambulatório, oito são de pedra na vesícula”, afirmou. Ele destacou a mudança no perfil dos pacientes ao longo dos anos. “Antes, falávamos em paciente obeso, mais velho. Hoje, são pacientes jovens. Já recebi imagem de criança de três anos com pedra na vesícula”, relatou. Para Suzuki, a principal causa é clara: “Alimentação. Alimentação gordurosa, alimentação de produtos processados. Isso virou uma questão de saúde pública”.


Foto: Iago Nascimento/ac24horas

O cirurgião também enfatizou a importância da formação médica local e avaliou que o Acre conseguiu consolidar um modelo próprio de capacitação em cirurgia. “O Acre forma bons cirurgiões”, afirmou. Segundo ele, a maioria dos profissionais que atuam hoje no estado passou pela Fundação Hospitalar. “Todos os cirurgiões de Cruzeiro do Sul, por exemplo, foram formados aqui”, disse, acrescentando que também atuou como professor na Universidade Federal do Acre e na UniNorte, contribuindo diretamente para essa formação.


Ao relembrar situações críticas da carreira, Suzuki citou como uma das mais marcantes o atendimento a um grave acidente em Brasiléia, envolvendo um caminhão com dezenas de passageiros que pegou fogo após sair da pista. “Nós éramos cinco ou seis médicos para atender mais de trinta vítimas queimadas, numa estrutura pequena, sem UTI”, contou. Ele descreveu o atendimento contínuo que se estendeu até a madrugada e a necessidade de improvisar espaços hospitalares. “Aquele pavilhão virou um centro de queimados. Foi o caso mais emblemático da minha vida profissional”, afirmou.


Por fim, Suzuki falou sobre o futuro da cirurgia no Acre e destacou a necessidade de avançar tecnologicamente. Ele apontou a cirurgia robótica como um caminho inevitável. “A robótica já é uma realidade. São cirurgias minimamente invasivas, muito precisas, com recuperação excepcional”, explicou. Embora o estado ainda não disponha da tecnologia, o cirurgião afirmou que há profissionais se preparando e iniciativas privadas interessadas. “Ainda não temos o robô aqui, mas já tem colega se antecipando, se capacitando, levando pacientes para operar fora”, disse.


Veja a entrevista completa:

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