Uma operação da Polícia Civil do Acre realizada na manhã desta segunda-feira, 05, resultou na apreensão de uma grande quantidade de medicamentos e insumos hospitalares avaliados em até R$ 1 milhão, além da prisão em flagrante de um suspeito, em uma residência localizada no Beco da Glória, no bairro da Pista, região da Baixada da Sobral, em Rio Branco. O material, segundo as autoridades, teria sido desviado da rede pública de saúde e estava sendo comercializado de forma clandestina.
A ação faz parte de uma investigação conduzida pela Delegacia de Crimes Fazendários (Defaz), que teve início a partir de um pedido formal da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), comandada pelo secretário, Pedro Pascoal. Durante coletiva de imprensa, o diretor-geral da Polícia Civil do Acre, Henrique Maciel, afirmou que a investigação já vinha sendo desenvolvida há algum tempo e destacou a importância da iniciativa partir do próprio governo estadual.
“Essa operação de hoje faz parte de uma investigação que já vem há algum tempo. Essa investigação iniciou com um pedido do secretário de Saúde, doutor Pedro Pascoal, o que demonstra claramente que o governo do Estado do Acre não compactua com nenhum tipo de irregularidade ou ilegalidade dentro da administração pública”, afirmou.
Maciel explicou que a ação desta segunda-feira, 05, representa apenas o primeiro resultado concreto das apurações. “Hoje pela manhã nós tivemos esse primeiro desfecho da investigação, com o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. No local, foram encontrados muitos medicamentos, alguns deles controlados, medicamentos de alto custo, além da prisão de uma pessoa que se encontrava na residência. A nossa linha de investigação aponta para a existência de uma quadrilha”, disse.
O diretor-geral reforçou que o volume do material apreendido indica a participação de mais pessoas no esquema. “Isso não é coisa de uma pessoa só, isso com certeza tem a participação de várias pessoas. Provavelmente, inclusive, de pessoas de dentro da Secretaria de Saúde, mas volto a frisar: o governo do Estado não compactua com isso. Portanto, o próprio secretário nos passou e nos pediu para que a gente iniciasse essa investigação. Então, a Polícia Civil obteve êxito, não para aqui, isso é o início, e hoje nós temos provas capazes de que realmente havia pessoas e há pessoas comercializando remédios que eram destinados às pessoas que realmente precisam.”, destacou.
Henrique Maciel classificou o desvio de medicamentos como um crime grave, por atingir diretamente pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). “Hoje nós temos provas cabais de demonstrar que essas pessoas estavam comercializando medicamentos que eram destinados a quem realmente precisa, pessoas com câncer, pessoas com doenças graves e isso demonstra o compromisso da Polícia Civil. É muito grave, gravíssimo”, enfatizou.
O secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal, também falou durante a coletiva e confirmou que a Sesacre já vinha percebendo inconsistências no estoque de medicamentos. “Nós já tínhamos conhecimento de que medicações estavam sendo furtadas. No início, eram informações ainda sem provas concretas, de que isso ocorria através de funcionários da saúde”, relatou.
Segundo o secretário, os desvios impactavam diretamente o planejamento da pasta. “O Estado se planejava para fazer a aquisição de uma determinada quantidade de medicamento, mas, na prática, aquela quantidade nunca era suficiente para atender todas as patologias, todos os diagnósticos e o consumo real dos nossos pacientes. Isso deu um start e nós fizemos essa conversa inicialmente, informal, junto à Polícia Civil”, explicou.
Pascoal destacou que o problema não se restringe apenas a medicamentos. “Nós não evidenciamos somente o furto de medicações, mas também identificamos o desvio de insumos hospitalares, como sondas, gases, luvas, materiais descartáveis e outros equipamentos que são retirados tanto de unidades do Estado quanto, possivelmente, de unidades municipais”, afirmou.
O secretário ressaltou que a postura da gestão é de enfrentamento direto às irregularidades. “Essa ação mostra transparência e responsabilidade do Governo do Estado para com a população”, declarou.
Responsável pela investigação, o delegado Igor Brito, da Delegacia de Crimes Fazendários, detalhou como a operação foi realizada e chamou atenção para a quantidade de material encontrado. “Na manhã de hoje, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão em uma residência localizada no bairro da Pista, na região da Baixada da Sobral. No local, foi apreendida uma grande quantidade de medicamentos, dos mais variados tipos”, disse.
De acordo com o delegado, o material apreendido inclui medicamentos de alto custo e de uso controlado.“Encontramos medicamentos destinados ao tratamento de Covid-19, câncer, diabetes, além de diversos insumos hospitalares. Literalmente, foi uma carga. Pela quantidade e pelo tipo de material, a gente acredita que o valor ultrapasse até R$ 1 milhão”, afirmou.
Igor Brito destacou que o trabalho da polícia não se encerra com a prisão realizada nesta segunda-feira. “Essa investigação vai continuar. Nós vamos aprofundar a investigação e agradecer ao secretário, ao Governo do Estado porque a investigação já teve início justamente com a informação do secretário de saúde e isso mostra que o Governo, não compartilha, de forma alguma, qualquer tipo de irregularidade”, pontuou.
Questionado sobre a origem dos medicamentos, o secretário Pedro Pascoal explicou que será possível rastrear o material. “Essas medicações são rastreadas por meio de códigos de barras e números de série. Ainda é cedo para afirmar exatamente de quais unidades elas saíram, mas já temos indícios de que possam ter origem no pronto-socorro, na Fundhacre, na maternidade e até em algumas unidades do interior do estado”, revelou.
Henrique Maciel reforçou que a investigação deve avançar nos próximos dias. “A gente vai avançar, porque, pela quantidade de medicamentos que foi apreendido, foram dois caminhões médios de medicamentos que aprendemos hoje. Medicamentos com menor valor, assim como de valores elevados. Então, agora temos a certeza de que isso estava acontecendo, porque aprendemos esse material. A investigação vai continuar. Mas é uma investigação que não é simples, ela é complexa, porque envolve movimento de, com certeza, mais de servidores ou pessoas que estão nos órgãos públicos, seja do Estado ou municipais. Esse tipo de apreensão, com esse quantitativo, não é de uma, nem de duas, nem de três pessoas. Com certeza, várias pessoas estão envolvidas. E, com certeza, por trás dessas pessoas que estão ali carregando e levando, há outras pessoas por trás, porque, com certeza, há a intenção de auferir lucros indevidos com esse esquema. A gente vai aprofundar, mas uma coisa é certa: temos provas. Temos uma pessoa presa, e a investigação vai continuar. Essa investigação terá prioridade na Polícia Civil, porque ela configura uma lesão contra o povo e contra a população. Estamos lidando com medicamentos, estamos lidando com vidas. O governador tem dito que o lema dele é cuidar das pessoas, e cuidar das pessoas significa levar medicamentos a quem precisa. Isso é muito grave, é gravíssimo, o que as pessoas estavam fazendo”, pontuou Henrique Maciel.
O suspeito preso foi identificado como Eugênio Gonçalves Neves, ex-balconista de farmácia. Ele foi conduzido ao Departamento de Investigações Criminais (DEIC) e, posteriormente, encaminhado à Delegacia de Flagrantes (Defla) para os procedimentos legais.
Devido ao grande volume de medicamentos e insumos apreendidos, foi necessário o uso de um caminhão para transportar o material, que passará por perícia técnica. A Polícia Civil não descarta novas prisões. “Quem estiver envolvido nesse sistema, com certeza nós vamos chegar, vamos indiciar e levar à Justiça. Estamos falando de medicamentos, estamos falando de vida”, concluiu Henrique Maciel.


















