Foto: David Medeiros
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), falou sobre a crise política, econômica e social da Venezuela durante visita à casa de apoio aos migrantes, na capital acreana, nesta segunda-feira (05). Em declaração à imprensa, o gestor lamentou o que classificou como expulsão de famílias do próprio país e comentou os impactos do conflito na região Norte do Brasil, especialmente no Acre.
“Primeiro de tudo, eu quero dizer que, para nós, é uma tristeza saber que, em alguns lugares do mundo, ainda o comunismo consegue expulsar pessoas, famílias, nascidos no seu país. A gente viu agora, nesse final de semana, a intervenção dos Estados Unidos lá na Venezuela, e que alegrou os corações desses venezuelanos que deixaram o país”, afirmou.
Segundo o prefeito, o êxodo venezuelano é expressivo. “Mais de 8 milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos 10 anos. Principalmente, alguns deles passaram aqui pelo Acre”, ressaltou.
De acordo com Bocalom, somente neste ano mais de 2.100 venezuelanos foram atendidos pela estrutura municipal de acolhimento. “Foram atendidas mais de 2.100 pessoas aqui de venezuelanos que passaram pelo nosso abrigo, sem contar os que passam direto, fugindo do massacre que tinham lá, massacre em todos os sentidos”, disse.
O prefeito ressaltou que a Prefeitura de Rio Branco tem assumido o atendimento humanitário. “A nossa Prefeitura procurou sempre dar o carinho e o acolhimento a esses irmãos, porque são seres humanos do mesmo jeito que nós e que estavam precisando de ajuda. Procuramos tratá-los com muito carinho, com acolhimento bem humano, diferente daquilo que eles viam lá”, pontuou.
Foto: David Medeiros
Durante a entrevista, Bocalom também apontou a falta de apoio federal. “Apesar de não ter tido todo o apoio do Governo Federal, porque trata-se de uma ação que deveria ser do Governo Federal, bancada pelo Governo Federal, a nossa Prefeitura tem bancado. A Prefeitura de Assis Brasil, a Prefeitura de Brasileia e a Prefeitura de Epitaciolândia têm sempre dado o suporte também”, relatou.
Durante a visita, o prefeito destacou o perfil dos acolhidos. “São pessoas, são idosos, estou vendo aqui uma cadeirante que também já saiu de lá cadeirante e está aqui passando por Rio Branco e a esperança deles é de retornar para o seu país. Todo mundo quer retornar para o seu país, é lá que são os seus parentes, é lá que eles pretendiam viver o resto da vida”, salientou.
Ao final, Bocalom disse acreditar em uma mudança no cenário venezuelano. “Com essa libertação que está sendo realizada lá na Venezuela, tenho certeza absoluta que boa parte dessas pessoas poderão retornar. Tomara Deus que a democracia se reinstale na Venezuela, um país que há 50 anos atrás era a quarta maior economia do mundo, riquíssimo, mas que, em função da mudança do modelo político de gestão, entrou o comunismo e aconteceu essa tragédia toda das pessoas terem que deixar o seu país”, finalizou.