Foto: Whidy Melo/ac24horas
Organizações políticas e movimentos sociais realizaram na tarde deste domingo, 04, no Lago do Amor, em Rio Branco, um ato público em solidariedade ao povo venezuelano e em defesa do princípio da autodeterminação dos povos. A mobilização ocorre em meio à repercussão internacional da invasão dos Estados Unidos à Venezuela e da prisão de Nicolás Maduro e de sua esposa, ocorrida na madrugada do último sábado (3). O público reuniu cerca de 50 pessoas.
A atividade reuniu militantes, estudantes, dirigentes partidários e integrantes de movimentos sociais do Acre. Entre as organizações presentes estiveram o Partido Comunista Brasileiro (PCB), Unidade Classista, Movimento Estudantil Popular (MEP), Movimento de Unidade Popular (MUP), União da Juventude Comunista (UJC), União Nacional dos Estudantes (UNVE), União da Juventude Socialista (UJS) Acre, Movimento Sem Parar, Juventude Pátria Livre (JPT) e o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). O ato foi aberto ao público e teve como eixo central a defesa da soberania nacional venezuelana e o repúdio a intervenções estrangeiras.
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Durante a manifestação, o professor Hildo Montezuma, do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta Pela Paz, enfatizou o caráter humanitário e político da mobilização. Para ele, a luta pela paz se tornou um tema central diante do avanço de conflitos internacionais. “Diante de uma agressão como a que foi perpetrada pelo Império estadunidense contra o povo e o Estado venezuelano, dessas pessoas não se espera nada além da solidariedade”, afirmou.
Montezuma destacou que, na sua avaliação, os interesses por trás da ofensiva não são democráticos. “O que eles querem lá não é restaurar uma possível democracia, não é pensando no benefício do povo venezuelano. O que eles querem é o petróleo, são as riquezas minerais do subsolo venezuelano, que pertencem ao povo venezuelano”, declarou, classificando a ação como um “barbarismo” que desrespeita tratados internacionais e merece “veemente repúdio”.
Questionado sobre críticas de que manifestações realizadas no Acre não teriam impacto prático sobre decisões do governo dos Estados Unidos, o professor ressaltou a importância simbólica, educativa e política do ato. “Antes e acima de tudo, quem está vivendo uma agressão precisa de solidariedade, então esse é um ato de solidariedade. Nós não temos poder de reverter essa situação, mas podemos dizer que somos contra e que somos solidários”, explicou. Ele também destacou o papel formativo dessas mobilizações. “Um ato dessa natureza tem um caráter educativo, de esclarecer as pessoas sobre a necessidade de rechaçar essa ideologia autoritária e fascista que está assolando o mundo e cuja tendência é gerar guerras entre os povos”, afirmou. Para Montezuma, há ainda a necessidade de ampliar o debate público: “É preciso furar a bolha da grande imprensa, que muitas vezes só veicula o lado dos poderosos, enquanto os povos agredidos são invisibilizados”.
Foto: Whidy Melo/ac24horas
Ao final do ato, o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores no Acre e militante político Cesário Braga destacou que a mobilização não representa apoio ao governo de Nicolás Maduro, mas sim uma posição contrária à invasão de um país por outro, fora das normas do direito internacional.
“Sou radicalmente contra o regime do Maduro, que eu considero uma ditadura. Assim como sou radicalmente contra a invasão de um país por outro país, sem nenhum motivo óbvio que não seja o roubo dos minérios daquele país”, afirmou. Segundo ele, o episódio acende um alerta também para o Brasil. “Nós não somos somente o segundo país do planeta em terras raras, mas somos um grande produtor de petróleo e temos reservas imensas de água potável. Hoje é a Venezuela e amanhã pode ser o Brasil”, completou.
Cesário também criticou o que chamou de desconhecimento da população sobre a gravidade do conflito. “Estamos falando de uma invasão feita fora das regras do direito internacional, com a justificativa única de se apropriar dos recursos naturais da Venezuela. O Donald Trump não falou de outra coisa que não fosse a apropriação do petróleo. Nós estamos aqui defendendo a soberania do povo venezuelano”, disse.