Pés com unhas esfaceladas
Escorrendo suores agoniados
Rastros deixados para trás
Areias brancas a serem pisadas
Horizonte tristemente lilás
Dores doídas de dentro pra fora
Desejos perdidos para sempre
Amoras mordidas no ventre
Flores que não florarão outrora
Amor que não arde, pois que jaz
Doutores de dizeres profícuos
Ganhadores de sortes compradas
Cascas de laranjas chupadas
Pedaços de caminhos oblíquos
Calos da bota que não calça mais
Como andrajo pelas pelejas tortas
Nem um beijo adquiri sendo assim
Jardineiro, regador de flores mortas
Guardei somente e dentro de mim
Meus eternos e preciosos ais.