Porque hoje é sábado

Adeus ano velho

Por
Francisco Braga

Pés com unhas esfaceladas


Escorrendo suores agoniados


Rastros deixados para trás


Areias brancas a serem pisadas


Horizonte tristemente lilás


Dores doídas de dentro pra fora


Desejos perdidos para sempre


Amoras mordidas no ventre


Flores que não florarão outrora


Amor que não arde, pois que jaz


Doutores de dizeres profícuos


Ganhadores de sortes compradas


Cascas de laranjas chupadas


Pedaços de caminhos oblíquos


Calos da bota que não calça mais


Como andrajo pelas pelejas tortas


Nem um beijo adquiri sendo assim


Jardineiro, regador de flores mortas


Guardei somente e dentro de mim


Meus eternos e preciosos ais.


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Por
Francisco Braga