Menu

O maior risco para o jovem é a falta de oportunidade

Foto: Sérgio Vale/ac24horas
Receba notícias do Acre gratuitamente no WhatsApp do ac24horas.​

O debate sobre jovens entre 14 e 16 anos que estão fora da escola produtiva e do mercado de trabalho precisa ser tratado com seriedade e responsabilidade. Não estamos falando apenas de desemprego juvenil, mas de uma fase crítica da vida em que a ausência de oportunidades, de acompanhamento e de perspectiva abre espaço para a ociosidade, a informalidade precoce e, em muitos casos, o aliciamento pelo crime.

Essa faixa etária é especialmente sensível. É quando valores, identidade e visão de futuro estão sendo formados. Quando o jovem não encontra um caminho estruturado, o risco social não nasce da maldade, mas da falta de alternativas. A experiência mostra que a maioria dos adolescentes que entra em conflito com a lei passou antes por um período de abandono institucional: sem escola conectada à realidade, sem trabalho orientado e sem acompanhamento profissional.

Anúncio

É por isso que ações improvisadas não funcionam. O jovem não precisa apenas “ocupar o tempo”, nem de assistencialismo permanente. Ele precisa de ações estruturadas, com método, regras, acompanhamento e propósito. Programas legais de inserção produtiva, como a aprendizagem profissional, cumprem exatamente esse papel: conciliam escola, trabalho, formação humana e responsabilidade, respeitando a idade e os limites legais.

O trabalho acompanhado, nessa fase, não é exploração — é proteção social. Ele ensina disciplina, compromisso, convivência, noção de esforço e recompensa, além de introduzir o jovem à educação financeira básica e ao mundo real das responsabilidades. Mais do que renda, o primeiro vínculo formal oferece algo muito mais valioso: pertencimento e projeto de vida.

Um aspecto decisivo desse processo é a convivência direta desses jovens com empresários, gestores e profissionais experientes. O contato cotidiano com quem empreende, gera empregos e assume responsabilidades reais contribui de forma profunda para a formação do caráter, dos costumes e dos princípios necessários para a vida adulta. O jovem passa a compreender valores como ética, mérito, esforço, respeito, responsabilidade e compromisso com resultados. Aprende, na prática, como funciona uma empresa, como se constroem relações de confiança e como decisões impactam pessoas e a comunidade.

Essa convivência não forma apenas bons colaboradores. Ela desperta visão de futuro. Muitos jovens passam a enxergar no empreendedorismo uma possibilidade real de vida, entendendo que empreender é assumir riscos, criar soluções e gerar oportunidades para outros. É assim que se formam cidadãos conscientes, profissionais responsáveis e, quem sabe, futuros empresários comprometidos com o desenvolvimento local.

Nesse contexto, a Rede Cidadã se destaca como uma referência nacional. Sua atuação conecta jovens, empresas, escolas e poder público em programas de aprendizagem e inclusão produtiva com acompanhamento contínuo. Não se trata apenas de encaminhar jovens para vagas, mas de formar cidadãos, preparar comportamentos, orientar escolhas e reduzir riscos sociais. O diferencial está no acompanhamento humano, próximo e constante, que transforma o trabalho em instrumento educativo e não apenas econômico.

Quando empresas, organizações sociais e governos se unem em torno desse modelo, todos ganham. O jovem ganha direção, a família ganha tranquilidade, a empresa forma mão de obra local e a sociedade reduz custos sociais futuros. Prevenir a criminalidade juvenil não começa na repressão; começa na oportunidade bem estruturada.

O futuro de uma comunidade depende diretamente do destino que ela oferece aos seus jovens. Um território que investe em inclusão produtiva, educação prática, convivência com bons exemplos e acompanhamento profissional colhe adultos mais preparados, trabalhadores mais conscientes e cidadãos mais responsáveis. Já um território que ignora essa etapa paga um preço alto em violência, exclusão e desperdício de potencial humano.

Encaminhar bem nossos jovens de 14 a 16 anos é uma escolha estratégica. É apostar em um futuro mais próspero, seguro e independente. Não é caridade, é visão de desenvolvimento. Um jovem bem orientado hoje é um profissional, um empreendedor e um cidadão comprometido amanhã. E nenhuma transformação social consistente acontece sem começar exatamente por aí.

Marcello Moura
Empresário
Presidente da CDL
Líder do movimento Cidadania Empreendedora
www.cidadaniaempreendedora.com.br

Siga o ac24horas no Google Notícias e seja o primeiro a saber tudo que acontece no Acre

Seguir no Google

Veja também

Newsletter

Fique por dentro do que acontece no Acre

Receba em primeira mão as notícias mais importantes do estado direto no seu e-mail. Política, economia, segurança e tudo que impacta a vida dos acreanos.