Menu

Mazinho Serafim é investigado por suposto superfaturamento na compra de remédio

Receba notícias do Acre gratuitamente no WhatsApp do ac24horas.​

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) instaurou um procedimento preparatório para investigar possíveis irregularidades na compra de medicamentos de alto custo pela Prefeitura de Sena Madureira, durante o ano de 2024 ainda na gestão do ex-prefeito Mazinho Serafim. A apuração envolve a empresa Disprofarma Comércio Ltda., o ex-prefeito Osmar Serafim de Andrade e outros investigados, conforme Portaria nº 0023/2025 obtida pela reportagem do ac24horas.

Segundo o documento, a investigação foi iniciada após a Procuradoria Jurídica do Município encaminhar representação relatando suspeitas de improbidade administrativa e ilícitos penais relacionados à compra dos medicamentos Daratumumabe 1200 mg e Lenalidomida 25 mg. Os remédios foram adquiridos para atender decisão judicial que determinou o fornecimento urgente para a paciente Valcione Oliveira da Rocha, diagnosticada com mieloma múltiplo (CID10: C90.0).

Anúncio

Pagamento antecipado e falta de entrega dos medicamentos

De acordo com o MPAC, o Município firmou o Contrato nº 101/2024 com a Disprofarma por meio de dispensa de licitação, ao custo total de R$ 1.951.005,00. Contudo, em 18 de julho de 2024, a prefeitura realizou um pagamento antecipado de R$ 636.876,00 — movimentação não prevista contratualmente — e, mesmo assim, a empresa não entregou os medicamentos dentro do prazo pactuado, descumprindo a cláusula terceira do contrato.

O atraso colocou a paciente em risco, fato que veio ao conhecimento público após ela mesma publicar um vídeo relatando a ausência dos remédios. Em conversas posteriores, a paciente afirmou que representantes da empresa justificaram a não entrega alegando que o então prefeito Osmar Serafim teria exigido que metade do valor pago fosse destinado à sua campanha eleitoral de 2024, afirmação que será investigada pelo Ministério Público.

A Portaria aponta ainda uma possível prática de superfaturamento. Enquanto o Município pagou R$ 2.170,50 por unidade da Lenalidomida 25 mg, o Estado do Acre adquiriu o mesmo medicamento, para a mesma finalidade, por R$ 863,36 — incluindo o valor do frete. A diferença superior a 150% levantou fortes indícios de dano ao erário e irregularidades no processo de aquisição.

A atual gestão municipal instaurou um processo administrativo para apurar o caso e notificou a Disprofarma para prestar esclarecimentos. No entanto, segundo o MPAC, a empresa permaneceu totalmente inerte, o que reforça a necessidade de aprofundamento das investigações.

Indícios de improbidade administrativa

Para o Ministério Público, caso os fatos sejam comprovados, podem caracterizar violação ao art. 10 da Lei de Improbidade Administrativa, incluindo danos ao erário, pagamento irregular, possível desvio, enriquecimento ilícito de terceiros e descumprimento de ordem judicial. A prática, segundo o órgão, compromete a moralidade administrativa e coloca em risco direitos fundamentais, em especial o direito à saúde da paciente.

O MPAC determinou ainda a notificação do ex-prefeito Osmar Serafim e dos representantes da Disprofarma para apresentarem documentos e explicarem a dispensa de licitação, o pagamento antecipado e o não fornecimento dos medicamentos. O procedimento preparatório prevê coleta de provas, documentos, depoimentos e demais elementos necessários para futura responsabilização civil e administrativa dos envolvidos.

Siga o ac24horas no Google Notícias e seja o primeiro a saber tudo que acontece no Acre

Seguir no Google

Veja também

Newsletter

Fique por dentro do que acontece no Acre

Receba em primeira mão as notícias mais importantes do estado direto no seu e-mail. Política, economia, segurança e tudo que impacta a vida dos acreanos.