Menu

MPF tem audiência para discutir regulamentação do uso da ayahuasca

Imagem: Pixabay/via Jornal da USP
Receba notícias do Acre gratuitamente no WhatsApp do ac24horas.​

O Ministério Público Federal (MPF) promoveu, na manhã de sexta-feira (28), uma audiência pública em Rio Branco para debater ações e omissões do poder público relacionadas à proteção do uso sacramental da ayahuasca por grupos religiosos tradicionais.

Segundo a assessoria, conduzido pelos procuradores da República Lucas Costa Almeida Dias e Luidgi Merlo Paiva dos Santos, o encontro reuniu mais de duzentos participantes, tanto presencialmente no auditório do MPF quanto de forma virtual. Estiveram presentes lideranças religiosas, povos indígenas, representantes de movimentos ayahuasqueiros, órgãos ambientais e de segurança pública, gestores das três esferas de governo, pesquisadores e membros da sociedade civil.

Anúncio

Na abertura, os procuradores destacaram que a finalidade do evento era “dar voz às comunidades indígenas e tradicionais ayahuasqueiras” e reunir subsídios técnicos, culturais e jurídicos capazes de fortalecer a atuação institucional em defesa do uso ritual da bebida.

Segundo o MPF, relatos frequentes de fiscalizações arbitrárias, retenção indevida de materiais ritualísticos e entraves para transporte e coleta das plantas sagradas motivaram o debate. Outro ponto de preocupação é o atraso considerado desproporcional no processo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que analisa o reconhecimento da ayahuasca como patrimônio cultural imaterial.

Demandas das comunidades ayahuasqueiras

Representantes de diferentes tradições — entre elas centros religiosos urbanos, comunidades amazônicas e povos indígenas — relataram ausência de regulamentação clara, medo de perseguição institucional e falta de orientação adequada às forças de segurança. Também manifestaram preocupação com a preservação dos territórios de coleta das plantas usadas no preparo do chá.

Povos indígenas reforçaram que a ayahuasca é utilizada há séculos como instrumento de cura, espiritualidade e organização comunitária, e pediram ao Estado o reconhecimento das especificidades culturais e cosmológicas que permeiam o ritual.

Ao final da audiência, o MPF informou que irá consolidar todas as contribuições em um relatório oficial, contendo:

recomendações a órgãos públicos das áreas de segurança, cultura, meio ambiente e saúde;

propostas para uniformização de condutas;

criação de protocolos de transporte, coleta e armazenamento das plantas utilizadas no preparo da ayahuasca.

O órgão também sugeriu ampliar espaços permanentes de diálogo entre comunidades tradicionais e o poder público, além de acompanhar com prioridade o processo do Iphan, que tramita há mais de 15 anos, pedindo aceleração das etapas pendentes.

Novas reuniões técnicas podem ser convocadas a partir das informações reunidas. O relatório final será divulgado nas próximas semanas e servirá de base para futuras ações institucionais do MPF.

Siga o ac24horas no Google Notícias e seja o primeiro a saber tudo que acontece no Acre

Seguir no Google

Veja também

Newsletter

Fique por dentro do que acontece no Acre

Receba em primeira mão as notícias mais importantes do estado direto no seu e-mail. Política, economia, segurança e tudo que impacta a vida dos acreanos.