Foto: Sérgio Vale
Na edição deste domingo, 30, do programa Bar do Vaz, Beatriz Cameli, viúva do ex-governador Orleir Cameli, relembrou momentos marcantes da trajetória política e pessoal do marido, falou sobre o livro que escreveu em homenagem a ele, revelou bastidores de sua vida familiar e administrativa, comentou perseguições que Orleir teria sofrido no governo, abordou o caso do Boeing 727, destacou sua fé, relatou o período de luto após a morte do ex-governador e ainda elogiou a atuação do governador Gladson Cameli durante a pandemia.
O apresentador abriu o programa falando sobre o legado que Orleir deixou ao Acre, bem como destacou o livro “Orleir Cameli, Um Homem à Frente do Seu Tempo”, escrito pela viúva, que também é professora e pesquisadora. Beth ressaltou o amor que ainda sente por Cameli e explicou que a obra foi construída com a colaboração de várias pessoas. “Foi feito com a ajuda de outras pessoas, a gente fazer esse levantamento de muitos anos sobre a vida, obra, detalhes da vida do Orleir, como político, como empresário, como pai de família, como cidadão”, disse.
Foto: Sérgio Vale
A viúva também comentou que, durante o governo de Orleir, ela não aparecia muito em público porque ele desejava preservá-la. “Eu demorei um pouco a compreender, mas também não queria passar por cima desse pensamento dele [Orleir], que era me preservar. Mas eu não entendia assim, eu achava que ele tinha que estar na frente e eu não. Entendia que, para não confrontar com ele, eu fazia o jogo da cabeça dele, né? Porque, no fundo, no fundo, ele era descendente de libaneses, de muçulmanos. E então eu deixava que ele aparecesse mais do que eu. Eu não podia aparecer mais do que ele, né? Então eu ficava no meu canto esperando a minha hora também, é claro. Então, esse jogo eu fiz com ele, tanto para escrever quanto para qualquer atividade que eu queria fazer. Eu deixava primeiro ele decidir, ele primeiro tomar a frente. Isso daí me rendeu coisas boas, porque a paciência, saber fazer um jogo com o marido, num relacionamento, é importante. No começo eu não achava bom, mas depois compreendi que era melhor fazer assim”, comentou.
Ela fez questão de destacar que, mesmo após Orleir assumir o governo do Acre, sua relação com a família permaneceu a mesma. “Pelo contrário, ficamos mais unidos — irmãos, sobrinhos, amigos. Ele gostava muito de fazer festa familiar na nossa casa”, afirmou. A viúva também ressaltou que Orleir era um patrão justo e cuidadoso com seus funcionários. “Ele trazia televisão, roupas, relógios… Ele gostava de presentear os funcionários que se destacavam. Ele dizia: ‘Essa empresa não é minha, é de vocês’”, contou.
Foto: Sérgio Vale
Dona Beatriz relembrou alguns trechos presentes no livro, entre eles o momento em que Orleir deixou o seringal motivado pelo desejo de crescer e pela visão de superação. “Ele nunca se permitiu pensar pequeno, sempre pensava grande”, disse, sorrindo.
A viúva também comentou as perseguições que Orleir Cameli enfrentou durante sua gestão, entre 1995 e 1999. Segundo ela, o ex-governador administrou o Acre de forma diferente. “No meu ver, era uma maneira dele administrar com transparência, de modo a beneficiar os mais necessitados. Ele criou novos moldes, que incomodaram muita gente. Eu entendia dessa maneira”, revelou.
Beatriz, que foi primeira-dama do Estado, fez ainda questão de abordar o episódio envolvendo a apreensão do avião cargueiro Boeing 727-247. Ela lembrou que as alegações de contrabando nunca foram comprovadas. “Foi para homenagear o pai dele e para mostrar à família que era possível comprar um transporte. O que aconteceu lá dentro, compra ou não compra, eu, na verdade, não sei. Mas houve conversas de que havia contrabando, e isso nunca foi provado.”
Beatriz fez uma revelação ao jornalista Roberto Vaz ao afirmar que Orleir não foi feliz durante sua gestão. “Ele não acordava um dia alegre, porque ficava pensando: ‘O que será que vão me acusar hoje?’ Ele não foi feliz como governador por causa disso. Já não queria saber de reeleição. Ficou mais doente, teve uma vida muito conturbada e desistiu de continuar na política devido à inquietação e às injustiças que enfrentava”, disse.
Foto: Sérgio Vale
Beth disse a Roberto Vaz que Orleir era um homem de muita fé e que, quando esteve doente, pedia aos amigos para fazerem a novena. Ela afirmou que Orleir era devoto de Frei Galvão. “Tanto que, na nossa empresa, ele mandou fazer uma capela especial para venerar Frei Galvão”, mencionou.
A ex-primeira-dama comentou ainda sobre o relacionamento político de Orleir. Segundo ela, ele não gostava de olhar nos olhos das pessoas e preferia enviar recados aos aliados. “Ele nunca gostou de dizer diretamente, ele mandava dizer. Ele era mole, tinha pena”, ressaltou.
Beth acrescentou que o dinheiro de Orleir era destinado a investimentos ou para ajudar as pessoas. “Ele não media esforços. Orleir foi assim, ele tinha um coração muito mole”, explicou.
Beatriz Cameli falou sobre a dor que marcou seu luto após o falecimento do ex-governador Orleir Cameli, em maio de 2013. Segundo ela, a perda a deixou completamente paralisada. “A gente fica paralisado, dois anos sem fazer nada. Passados os dois anos, o Eládio disse que eu tinha que voltar ao escritório, que ele iria impor respeito, e fui incentivada a voltar. A partir de 2014, comecei a ir”, relatou.
Ao comentar sobre o governador Gladson Cameli, sobrinho de Orleir, Beatriz destacou que ele teve uma criação diferente e nasceu “em berço de ouro”. “Cada um reage de acordo com a sua visão”, afirmou. Para ela, Gladson teve bom desempenho durante a pandemia. “Orleir é Orleir, Gladson é Gladson. Ele se saiu bem, no meu ver, contribuiu com a saúde com o que podia”, ressaltou.
Sobre o livro “Orleir Cameli, Um Homem à Frente do Seu Tempo”, Beth adiantou que, por enquanto, os exemplares serão vendidos apenas mediante agendamento pelo telefone (68) 99911-3319. Ela informou ainda que a versão de capa dura custa R$ 120. “Tem depoimentos de várias pessoas, de todos os tipos. Criamos um QR Code onde é possível acessar esses depoimentos”, explicou.
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