O Amazonas pode voltar a registrar confrontos entre facções criminosas nos próximos meses. O alerta foi feito pelo presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Renato Sérgio de Lima, durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.
Segundo ele, uma liderança da facção Família do Norte (FDN), que teve familiares assassinados pelo Comando Vermelho (CV), está prestes a deixar a prisão após cumprir pena. A avaliação é de que a libertação pode desencadear um novo ciclo de vingança e violência no estado.
“Provavelmente teremos um confronto mais forte, porque essa liderança deve buscar vingança”, afirmou.
Renato Sérgio de Lima contextualizou o cenário ao comentar a expansão do Comando Vermelho para a região amazônica, após a reconfiguração das rotas do narcotráfico no país. Essa mudança ocorreu a partir de 2016, depois do assassinato do empresário e narcotraficante Jorge Rafaat Toumani, em Pedro Juan Caballero, na fronteira entre Brasil e Paraguai. Com isso, o PCC passou a dominar as rotas do Centro-Oeste e Sul, conhecidas como a “Rota Caipira”, que liga Bolívia e Paraguai aos estados de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro.
Com a perda de território para o PCC, o CV avançou sobre a rota do Rio Solimões e Manaus, firmando inicialmente uma aliança com a FDN para tentar conter o avanço do rival. No entanto, a parceria entrou em crise após disputas internas entre lideranças e, em 2020, a FDN sofreu um revés com a cooptação de seus integrantes pelo CV, que assumiu o controle da chamada “Rota Solimões”.
Atualmente, a hegemonia do Comando Vermelho na Amazônia é apontada como um dos fatores que explicam a redução das rebeliões e massacres nos presídios do Amazonas, após anos de conflitos violentos entre facções. Unidades prisionais foram palco de crimes brutais, com decapitações e empalamentos.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. Em maio de 2019, pelo menos 15 detentos foram mortos. Já o massacre de janeiro de 2017, considerado o maior da história do Amazonas, deixou 56 mortos.


















