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Com Bolsonaro preso, oposição busca estratégia para viabilizar anistia

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada no sábado (22/11), agitou a movimentação da oposição no Congresso, que tenta agora reorganizar sua atuação para viabilizar o avanço da pauta da anistia após uma série de tentativas frustradas. O ex-presidente está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e no domingo deu sua versão para a violação da tornozeleira ao falar durante audiência de custódia.

Às vésperas do possível trânsito em julgado da condenação que pode levar à prisão definitiva do ex-presidente, parlamentares do PL buscam estruturar uma reação política e legislativa. A primeira reunião de articulação, que inicialmente estava marcada para terça-feira (25/11), foi antecipada para esta segunda (24), às 14h, na sede nacional do PL, em Brasília.

O tema central da reunião será a definição de estratégias daqui para a frente. Na pauta, estão formas para viabilizar a anistia, em detrimento do chamado PL da Dosimetria, e também articulações para 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, é um dos que comparecerão.

O PL é visto como uma versão mais “light” do texto, e a proposta não livraria Bolsonaro da cadeia, mas revisaria penas atribuídas a ele no processo da trama golpista, no qual o ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.

Diante do novo cenário político, que, embora já esperado, veio mais cedo do que o previsto, a sigla pretende retomar a pressão por uma proposta mais ampla, como diz o mote desde o início, ao defender anistia “ampla, geral e irrestrita”.

Interlocutores envolvidos afirmam que a reunião também tratará sobre uma frente de atuação internacional para abarcar na jogada a tentativa de pressão externa sobre o Brasil.

Um dos exemplos de reação citada nos bastidores é a nota da embaixada americana divulgada no X (antigo Twitter). A mensagem afirma que a prisão de Bolsonaro foi “provocativa e desnecessária”, descrevendo-o como alguém já submetido a uma forte vigilância. O texto também diz que Moraes “expôs o Supremo Tribunal Federal à vergonha e ao descrédito internacional” e classifica o episódio como um ataque ao Estado de Direito.

Além da discussão internacional, a oposição tenta reorganizar sua base no Congresso em meio a um fim de semana de feriado prolongado. Muitos parlamentares da oposição estavam fora de Brasília em agendas, em suas respectivas bases, quando Bolsonaro foi preso, e muitos acabaram retornando às pressas à capital para acompanhar a situação e participar das articulações.

Aliados classificam o clima como “tenso”, mas avaliam que ainda há margem política para pautar a anistia até o fim deste ano legislativo. O recesso, contudo, começa em menos de um mês.

A expectativa da oposição é que a reunião desta segunda produza uma diretriz mais clara sobre como conduzir a pauta da oposição e como responder à prisão de Bolsonaro, em um momento considerado decisivo para o futuro do bolsonarismo no Congresso.

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