Menu

Sem anistia, Bolsonaro só voltaria às eleições em 2062

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Sem anistia e com uma condenação de 27 anos e três meses de prisão, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) só voltaria às eleições em 2062, aos 107 anos de idade.

O cálculo leva em consideração o acréscimo dos oito anos de inelegibilidade pela aplicação da Lei da Ficha Limpa após o cumprimento da pena imposta pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).

Com isso, Bolsonaro poderia se candidatar a partir de 11 de dezembro de 2060. A eleição seguinte seria dali dois anos, em 2062.

Pelo artigo 15 da Constituição da República, a cassação de direitos políticos é aplicada para condenações criminais durante o efeito da pena.

Isso vale para o cenário de trânsito em julgado, ou seja, de esgotamento de todos os recursos.

Após a publicação do acórdão – o que pode levar até 60 dias – a Primeira Turma ainda analisará os embargos de declaração apresentados pelas defesas. Os advogados terão cinco dias para isso.

Somente depois da decisão sobre os recursos, pode ser considerado o chamado trânsito em julgado e as penas passam a ser cumpridas.

Anistia

Durante apartes na sessão que condenou Bolsonaro, o relator Alexandre de Moraes ressaltou que crimes contra a democracia não podem ser anistiados.

“Assim como não cabe indulto pelo presidente, não cabe anistia pelo Congresso, também não cabe perdão pelo Judiciário para crimes que atentem contra o Estado Democrático de Direito”, disse o ministro.

Juristas ouvidos pela CNN afirmam que não cabe anistia porque o crime é inafiançável e que a única saída é o Poder Legislativo mudar a lei e diminuir as penas, o que retroagiria, para facilitar a progressão.

Progressão de regime

Condenado a cumprir regime inicialmente fechado, o ex-presidente Jair Bolsonaro poderia pedir conversão para o semiaberto após cumprimento de parte da pena.

Os cálculos levam em consideração o cumprimento de 16% da pena (1/6), se o crime é cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa, ou 25% (1/4) se é cometido com violência.

Segundo diferentes juristas ouvidos pela CNN, é preciso entender qual será a decisão do juízo de execução, o órgão judicial responsável por conduzir a fase de cumprimento de uma decisão judicial.

Levando em consideração a interpretação da maior parte dos advogados consultados, há caracterização de violência, o que permitira a saída de Bolsonaro somente após o cumprimento de pelo menos 6 anos e 8 meses em regime fechado.

Outros ponderam que a questão da violência foi avaliada na própria dosimetria da pena, de modo que isso já esteve no cálculo. O cálculo seria, então, de 1/6 ou o equivalente a cerca de 4 anos e 5 meses.

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro já deu indicativos, no entanto, de que deve alegar questões de saúde para acionar alternativas como a prisão domiciliar.

Siga o ac24horas no Google Notícias e seja o primeiro a saber tudo que acontece no Acre

Seguir no Google

Veja também

Newsletter

Fique por dentro do que acontece no Acre

Receba em primeira mão as notícias mais importantes do estado direto no seu e-mail. Política, economia, segurança e tudo que impacta a vida dos acreanos.