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A falha de Vale Tudo ao propor uma discussão de TikTok sobre machismo

Foto: Odete (Debora Bloch) e Marco Aurélio (Alexandre Nero) em Vale Tudo: discussão rasa e às pressas- Foto: Reprodução/ TV Globo
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O telespectador foi surpreendido no capítulo de quarta (10) com uma espécie de “remake dentro do remake” em Vale Tudo. Sob o pretexto de levantar uma crítica social, a novela das nove encenou a disputa de poder entre Odete (Debora Bloch) e Marco Aurélio (Alexandre Nero). O embate, no entanto, soou como uma caricatura, lembrando mais um pastiche um tanto sem carisma de Guerra dos Sexos (1983) do que uma reflexão verdadeira sobre desigualdade de gênero.

O pior é que a discussão dialoga diretamente com a obra original de Gilberto Braga (1945-2021), Leonor Bassères (1926-2024) e Aguinaldo Silva, tanto que havia espaço para ser desenvolvida com consistência desde o início. Em vez disso, o folhetim de Manuela Dias optou por tratar o tema com a superficialidade de um vídeo de TikTok, no mesmo ritmo acelerado e com a mesma falta de profundidade.

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O capítulo começou com Marco Aurélio batendo de frente com Odete, querendo usar o casamento dela com César (Cauã Reymond) para tirá-la da presidência da TCA. Como um vilão de desenho animado, ele até comentou com Freitas (Luís Lobianco) que usaria o machismo estrutural a seu favor.

A empresária dobrou a aposta e teve alguns momentos de ícone feminista, soltando até que “a sociedade pode não estar preparada para mulheres que comandam o mundo, mas o patriarcado vai ter que se acostumar”.

Em cima disso, o público ainda viu Celina (Malu Galli) e Heleninha (Paolla Oliveira) criticarem a superficialidade dos argumentos de Odete, que ofereceu desconto em serviços para empresas parceiras comandadas por mulheres. A artista plástica chegou a alfinetar como a mãe estava deturpando uma pauta séria a seu favor.

Nada apocalíptica, mas muito integrada

Quem acompanha Vale Tudo com alguma assiduidade não se espantaria se essa discussão fosse trocada por outra já nesta quinta-feira (11). Aliás, a trama parece se encaixar no que Umberto Eco (1932-2016) descreveu em Apocalípticos e Integrados (1964).

É como se a novela da Globo tentasse se apresentar como apocalíptica, subversiva, ao levar um debate sobre gênero a milhões de pessoas em um veículo de massa. A proposta seria fazer a crítica chegar a mais gente. Mas a execução é tão superficial que cai no campo dos integrados: uma pseudo-reflexão, vendida como mordaz, mas incapaz de provocar um pensamento mais profundo.

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