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Superávit é ‘vitória do Brasil’ após tarifaço, diz presidente da Apex

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Após um mês de apreensão com a tarifa de 50% imposta pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros, o Brasil comemora o superávit comercial de US$ 6,1 bilhões em agosto. Em entrevista ao UOL, Jorge Viana, presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), celebrou o resultado e destacou os esforços para diversificar as parcerias comerciais “em todos os continentes”, para destravar o acordo do Mercosul com a União Europeia e aumentar suas exportações para China, o Brasil agora mira a Índia, “o maior potencial que temos para exportar”. Segundo Viana, “é uma vitória para o Brasil. Não estamos pessimistas quanto ao dia de amanhã”.

Veja os principais trechos da entrevista:

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Brasil tem superávit após tarifaço

É uma vitória para o Brasil. O presidente Lula e a Apex realizaram 16 encontros empresariais em todos os continentes. Fomos ao Vietnã, Arábia Saudita, China, Espanha, Alemanha, Japão, Angola… Isso nunca havia acontecido. Foram mais quatro com o vice-presidente [Geraldo] Alckmin. Mais de 7.000 empresários foram por conta própria a esses encontros.

O Brasil fez o dever de casa: abrimos quase 410 [desde o início do governo] com trabalho integrado do Ministério da Agricultura, Itamaraty, Ministério do Desenvolvimento e Apex auxiliando. Ajudou o fato de o presidente Lula ter um perfil agressivo de vender o Brasil.

Alguns produtos fora do tarifaço também exportaram menos para os EUA porque as tarifas são inexplicáveis. Foi assumido o componente político e não comercial por conta da ação do filho do ex-presidente [Eduardo Bolsonaro]. Isso gera insegurança [nos importadores]. A incerteza faz as pessoas pensarem se vale a pena manter suas relações comerciais.

Como driblar o tarifaço

Buscamos vender mais para os mercados que já foram abertos. Vamos aumentar nossa participação na Austrália. Dias 10 e 11 deste mês vamos para o Canadá, que compra US$ 1 bilhão de café brasileiro. O Brasil pode vender parte o excedente que iria para os EUA. A ideia é ampliar a diversificação: vender mais onde a gente já vende e identificar países sem barreira tarifaria para vender nossos produtos.

EUA continuam como um importante mercado

Ninguém abre mão dos EUA. A Apex já tem um escritório em Miami e vai colocar um ponto de negociação em Washington. Não podemos desistir porque acredito que haverá pressão de setores dos EUA para mais produtos brasileiros entrarem na lista de exceções.

A Apex montou um programa de R$ 240 milhões para trazer mais de 1000 compradores de dezenas de países para se encontrarem com empresas que tinham os EUA como principais importadores, e vamos garantir que essas empresas estejam nos eventos da Apex no mundo inteiro. O [programa do governo] Brasil Soberano é um lastro para as empresas. Elas sabem que têm um apoio do BNDES para se manterem.

Negociações

O Brasil está sendo pragmático, seja com os EUA ou com a Argentina, ao contrário do governo passado, que fazia política no comércio: tratava mal a Argentina [então sem Javier Milei], tratava com desdém os EUA [com Joe Biden], fazia piada com a China.

A Índia é o país com o maior potencial de crescimento de exportação que temos porque tem a maior população do mundo. Hoje o fluxo de exportação parece o de dez anos atrás porque houve queda no governo passado. A pedido de Lula, a Apex está ajudando a organizar com o Alckmin o maior encontro empresarial que a gente já fez com a Índia.

Acordo do Mercosul com União Europeia destrava

O acordo saiu da Comissão e foi para o Conselho, com perspectiva de assinatura até o final do ano. Será o maior acordo comercial do mundo, US$ 22 trilhões de dólares, maior que o PIB da China [US$ 18 tri] e quase o dos EUA [US$ 29 tri].

O presidente Lula insistiu muito politicamente, conversou com líderes europeus, com o secretário do Conselho da UE [Thérèse Blanchet], com a presidente da Comissão Europeia [Ursula von der Leyen]. A mudança na posição dura da França [que resistia ao acordo] vem acompanhada de salvaguardas que criam segurança em casos excepcionais para alguns setores [como a criação de um fundo de socorro ao agronegócio].

O tarifaço também colaborou para que os blocos criassem um melhor ambiente de comércio.

Mesmo com o tarifaço sendo ruim para o Brasil, não estamos pessimistas quanto ao dia de amanhã.

Jorge Viana, presidente da Apex

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