Documentário Vozes do Silêncio retrata a violência contra a mulher no Acre

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Da redação ac24horas

O documentário Vozes do Silêncio apresenta uma narrativa sobre a violência contra a mulher no Acre a partir de diferentes perspectivas: o olhar da Justiça, a voz da poesia e os relatos de vítimas. A obra reúne entrevistas, dados e experiências que permanecem muitas vezes invisíveis.


Entre os personagens está Medusa, poeta e slammer, que transforma a dor em palavra e denuncia as agressões por meio da arte. Em uma de suas intervenções no filme, ela afirma: “Escrevo para as que se foram, para as que resistem e para as que ainda vão encontrar coragem de falar.”


Além de sua atuação como poeta e slammer, Medusa também representa no filme a juventude que encontrou na arte uma ferramenta de sobrevivência e transformação. Sua trajetória revela como a cultura periférica pode se tornar um espaço de acolhimento e enfrentamento. No documentário, ela afirma: “A gente escreve porque precisa existir, porque não dá mais para aceitar que a violência seja normalizada.”



A obra também dá espaço à fala da juíza Louise Kristina Lopes de Oliveira Santana, que atua na 2ª Vara de Proteção à Mulher da Comarca de Rio Branco. Ela destaca que a legislação, por meio da Lei Maria da Penha, foi um marco para o enfrentamento à violência doméstica, mas que sua efetividade depende de ações concretas: “A Lei Maria da Penha é uma das legislações mais avançadas do mundo, mas, para que ela funcione, é preciso que existam estruturas de apoio, como as delegacias especializadas, casas de acolhimento e uma rede de proteção que realmente alcance as mulheres em situação de violência.”


Louise ressalta que romper o silêncio continua sendo um dos maiores desafios: “Muitas vezes, a mulher demora anos para conseguir denunciar, porque está inserida em um ciclo de violência marcado pelo medo, pela dependência econômica e pela pressão social. Quando ela procura a Justiça, precisa encontrar acolhimento e respostas rápidas, caso contrário corre risco de voltar para o agressor e ser vítima novamente.”



O documentário contextualiza os relatos de casos reais com dados do Acre. O estado já esteve no topo do ranking nacional de feminicídios e segue registrando altos índices de violência contra a mulher. Esses números se traduzem em histórias de vidas interrompidas ou transformadas pela luta por justiça. A realidade local é apresentada como reflexo de um problema nacional.


O diretor Alexandre Nunes explica a motivação da obra: “Vozes do Silêncio nasce da urgência de encarar uma realidade que, muitas vezes, permanece invisível: a violência contra a mulher. O documentário é um convite não apenas para assistir, mas para refletir, discutir e se engajar na construção de uma sociedade mais justa e acolhedora. Que cada espectador saia transformado e disposto a não silenciar diante dessa realidade.”


Segundo ele, a equipe buscou tratar o tema com sensibilidade e firmeza: “Estamos lidando com uma realidade dura e sensível: a violência contra a mulher. Era fundamental tratar o assunto com respeito, delicadeza e, ao mesmo tempo, firmeza na denúncia. Nosso objetivo sempre foi construir um espaço de escuta e de acolhimento, onde as vozes silenciadas pudessem ser reconhecidas e ganhar ressonância.”


A produção foi realizada com apoio da Fundação Elias Mansour (FEM), do Governo do Acre e do Governo Federal, por meio de recursos da Lei Paulo Gustavo. Para Alexandre, o resultado é fruto de um esforço coletivo: “Quero agradecer a todas as pessoas que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste documentário. Em especial, à Fundação Elias Mansour (FEM), ao Governo do Acre e ao Governo Federal, por meio do edital da Lei Paulo Gustavo, que tornaram possível transformar essa ideia em realidade. Vozes do Silêncio é fruto de um esforço coletivo que acreditou na importância de dar espaço à escuta e à resistência.”



O documentário estará disponível no YouTube, no canal Épop:



Ficha técnica


Título: Vozes do Silêncio


Direção geral: Arison Jardim, Alexandre Nunes Nobre


Roteiro: Arison Jardim


Pesquisa e concepção: Arison Jardim, Alexandre Nunes Nobre


Produção executiva: Wave Produção, Maria Mariah Jardim


Produção: Cidade Publicidade e Propaganda, Josiane de Oliveira Barbosa Nobre


Participações:


Juíza Louise Kristina Lopes de Oliveira Santana (TJ/AC)


Medusa AK (poeta e ativista cultural)


Natielly Castro (poeta e artista convidada)


Trilha sonora original: Maestro André Dantas


Financiamento: Lei Paulo Gustavo – Acre (Edital de Audiovisual nº 006/2023)


Apoio institucional: Fundação Elias Mansour (FEM), Governo do Estado do Acre e Governo Federal



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