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Elzinha propõe obrigatoriedade de intérpretes de Libras em eventos públicos e privados

Por
Saimo Martins

A vereadora Elzinha Mendonça (PP) apresentou nesta terça-feira (5) na Câmara Municipal um projeto de lei que torna obrigatória a presença de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em eventos culturais, artísticos, educacionais, esportivos, religiosos, de saúde, lazer, e em todos os demais serviços públicos que envolvam comunicação e expressão no município de Rio Branco (AC).

A proposta tem como objetivo assegurar o pleno acesso das pessoas com deficiência auditiva – surdos e surdos-cegos – à cultura, à informação, à educação e ao entretenimento. Segundo Elzinha, a medida busca garantir a inclusão e eliminar barreiras comunicacionais que ainda impedem a participação igualitária da comunidade surda em diversas atividades sociais.

O que prevê o projeto

O texto do projeto determina a obrigatoriedade da presença de intérpretes de Libras em todos os eventos presenciais ou virtuais realizados em Rio Branco, sejam eles promovidos por instituições públicas ou privadas.

Estão incluídos, por exemplo:

Shows musicais

Espetáculos teatrais e artísticos

Seminários, conferências, simpósios e oficinas

Competições esportivas

Feiras, exposições, festivais e eventos similares

A exigência será aplicada a eventos abertos ao público, pagos ou gratuitos, com expectativa superior a 100 pessoas. A quantidade mínima de intérpretes varia conforme o tamanho do evento:

De 100 a 1.000 pessoas: 4 intérpretes em revezamento

De 1.001 a 10.000 pessoas: 6 intérpretes

Acima de 10.000 pessoas: 8 intérpretes

Além disso, os profissionais deverão ser posicionados em locais visíveis e com iluminação adequada para garantir a acessibilidade.

Penalidades para quem descumprir

O projeto também prevê penalidades para quem descumprir a legislação:

Eventos privados: Advertência, multa de 10% do proveito econômico do evento (dobrada em caso de reincidência), e, após duas infrações consecutivas, suspensão do alvará para novos eventos.

Eventos públicos: Instauração de sindicância administrativa, com possibilidade de encaminhamento do caso ao Ministério Público e à autoridade policial.

O Poder Executivo também deverá incluir cláusulas contratuais que exijam a disponibilização de intérpretes em todos os instrumentos firmados com empresas ou entidades para realização de eventos. O não cumprimento implicará nulidade contratual parcial e sanções previstas em lei.

Justificativa e contexto

A vereadora Elzinha destaca que a iniciativa está amparada na Constituição Federal, que garante igualdade de direitos para todos, e na legislação federal que reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão – como a Lei nº 10.436/2002 e o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015).

Segundo ela, a proposta surgiu após um episódio ocorrido durante a Expoacre 2025, quando a organização de um grande evento artístico, realizado em espaço público, proibiu a presença de intérpretes de Libras oferecidos gratuitamente pelo Governo do Estado. O caso gerou forte repercussão e foi interpretado como um retrocesso nos direitos da comunidade surda.

Elzinha ainda citou que cidades como Teresina (PI) já contam com legislações similares, e que tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 664/2023, que visa estender essa obrigatoriedade a todo o território nacional.

Tramitação

O projeto de lei será analisado pelas comissões permanentes da Câmara Municipal de Rio Branco antes de ser votado em plenário. Caso aprovado, caberá ao Poder Executivo regulamentar a norma no prazo de 90 dias, inclusive podendo firmar convênios com entidades da comunidade surda para viabilizar o serviço.

“É uma medida de justiça social e de promoção dos direitos humanos. Precisamos garantir que nenhuma pessoa com deficiência auditiva seja excluída do acesso aos bens culturais e sociais da nossa cidade. A inclusão começa pelo respeito”, afirmou Elzinha Mendonça.

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Saimo Martins