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O poder dos eventos e festivais: como a Expoacre pode impulsionar a microeconomia

Foto: Whidy Melo
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Em um país continental como o Brasil, os grandes eventos e festivais se consolidaram como verdadeiros motores da economia regional. Eles não apenas movimentam a cadeia do turismo, mas aquecem a microeconomia local, gerando emprego, renda e visibilidade para destinos antes pouco explorados. É dentro desse contexto que a Expoacre assume papel estratégico para o desenvolvimento do Acre.

Tomemos como exemplo o município de Gramado, no Rio Grande do Sul, onde eventos como o Natal Luz e o Festival de Cinema transformaram uma cidade serrana em um dos destinos turísticos mais visitados do Brasil. Hotéis, restaurantes, motoristas de aplicativo, artesãos, lojistas, guias de turismo e produtores locais se beneficiam diretamente, gerando um ciclo virtuoso de desenvolvimento baseado na experiência e na valorização da cultura local.

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Outro caso emblemático é o de Bonito (MS). Com festivais ligados à natureza, à cultura e à gastronomia, a cidade atrai turistas do mundo inteiro, gerando ocupação hoteleira durante quase todo o ano. Os eventos servem como chamariz para novos visitantes e ajudam a consolidar a imagem da cidade como destino turístico permanente — não apenas sazonal.

Em São Paulo, as feiras de negócios — como a APAS Show (do setor supermercadista) ou a Couromoda — movimentam bilhões de reais por edição, atraindo expositores e compradores nacionais e internacionais. Mas mais do que movimentar o setor empresarial, elas aquecem o comércio local, os transportes, a hotelaria e os serviços urbanos.

No caso do Acre, a Expoacre é mais do que uma feira agropecuária: é uma vitrine do nosso estado para o Brasil e para o mundo. É onde o artesanato indígena encontra novos clientes, onde o pequeno produtor expõe e negocia seus produtos, onde o artista local pode subir ao mesmo palco de estrelas nacionais. É onde a cultura encontra a economia, e ambas se fortalecem mutuamente.

No entanto, o preconceito histórico com esse tipo de investimento — em cultura, turismo e festivais populares — deixou o Acre de fora da rota do turismo nacional e internacional. Enquanto isso, cidades da Amazônia como Parintins (AM) abraçaram a cultura como motor de desenvolvimento e hoje recebem turistas do mundo inteiro, impulsionadas por um festival que, mesmo com raízes populares, se tornou um gigante cultural e econômico.

Parintins atrai voos fretados, jornalistas internacionais, influenciadores, patrocinadores e milhões em mídia espontânea. Tudo isso a partir do orgulho e da valorização da própria identidade cultural. O Acre, que tem riquezas culturais e étnicas incomparáveis, poderia trilhar caminho semelhante — mas isso exige visão política, parcerias estratégicas, ousadia e investimentos consistentes.

Defender e investir na Expoacre não é luxo, é estratégia de desenvolvimento regional. Os impactos da feira se espalham por todo o ecossistema local: vendedores ambulantes, restaurantes, salões de beleza, oficinas, gráficas, empresas de comunicação, turismo rural, mototaxistas — todos ganham.

É preciso romper o ciclo do medo e da desinformação. Investir em festivais e grandes eventos não é desperdício, é semear progresso, especialmente quando se tem uma economia ainda fragilizada e dependente do setor público. Eventos bem planejados geram arrecadação, atraem investimentos, aumentam as transações comerciais e ativam a autoestima do povo.

Se cidades como Gramado, Bonito, Parintins e São Paulo fizeram da cultura, do entretenimento e do agronegócio vitrines para o crescimento, por que não o Acre? Temos belezas únicas, uma cultura diversa, gastronomia rica e um povo criativo e acolhedor. A Expoacre é uma ponte entre tudo isso e o desenvolvimento. Cabe a nós atravessá-la com coragem, visão e planejamento.

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