Menu

Martelo que bate em Chico… a Venezuela e a barbárie

Foto: Sérgio Vale

Não se fala em outra coisa. Não se lê outra coisa. Não se assiste a outra coisa que não seja algo relacionado à “Tornozeleira do Bolsonaro”. A medida cautelar formalizada pelo ministro Alexandre de Moraes tem fundamento jurídico e está embasada em fatos. Muitos acreanos se sentiram incomodados e levantaram logo a bandeira de que o Brasil está “virando uma Venezuela” porque ainda se tem dificuldade de entender que ninguém está acima da lei. Um representante da elite política do país com o mesmo acessório eletrônico de um criminoso comum fere o orgulho vira-lata de muitos. E o Acre, como reagiu?

Entre a classe política, a reação foi a mais medíocre possível. Não apenas em relação à quantidade, mas à qualidade de quem se aventurou a defender o monitorado pela Justiça mais famoso do país. A linha de raciocínio correu atrás do próprio rabo seguindo a lógica de que (de novo) “o Brasil virou uma Venezuela”; de que a ditadura da toga é o que está dando o tom das coisas por aqui; de que o comunismo isso… o comunismo aquilo…; não podia faltar Cuba, claro. E finaliza-se com uma pitada de “liberdade” para dar à fala algum tom de erudição.

E olhe que o MPF nem pediu prisão preventiva. A presunção de inocência ainda está protegida. O uso da tornozeleira foi apenas uma medida de cautela tomada pelo julgador para que a lei seja aplicada. Foi medida necessária, diante das possibilidades de danações que poderiam ser feitas. A fala “(…) sair do Brasil é a coisa mais fácil” é, antes, uma revelação da intenção.

Depois dos R$ 2 milhões enviados ao filho nos Estados Unidos, Jair Bolsonaro ainda tinha outros minguados US$ 14 mil em dinheiro dentro de uma gaveta em casa. Ao menos um pão com leite condensado já estaria garantido por algum tempo.

Esse é outro detalhe que até a imprensa nacional finge desimportância. “Sempre guardei dólar em casa”, argumentou Bolsonaro. O cidadão brasileiro, maltratado que é, acostumou-se com a ideia de que os mais altos cargos eletivos são senha para desfrutar do luxo. Acostumou-se a isso. Como assim “Sempre guardei dólar em casa”?

O sujeito é (ou foi) presidente, senador, deputado então é natural morar em mansão, ter fazendas, milhares de cabeças de gado, frequentar ambientes caros e glamourosos. No caso de Bolsonaro, é bom lembrar, por exemplo, das compras de 51 imóveis com dinheiro em espécie feitas pela família Bolsonaro. Ou já esquecemos disso? O brasileiro apreendeu a concepção de que essas tramas envolvendo a rotina de homens públicos são naturais. Não deveriam ser.
O silêncio da maior parte da classe política do Acre poderia ser entendido pelo próprio eleitor como algo revelador. É como se a maior parte dos deputados e deputadas estivessem, com o silêncio, gritando ao eleitor: “Chega! Você ainda não conseguiu ver?”.

E não custa explicar: a medida cautelar tomada guarda relação com as danações que o filhão Eduardo Bolsonaro está fazendo nos Estados Unidos: com destaque para as articulações contra a economia brasileira e a interferência direta nas decisões do STF, que conduz o julgamento da trama golpista.

Diante da possibilidade real de o paizão fugir, a medida cautelar foi executada. A decisão em relação a trama golpista é outra coisa. A martelada ainda virá. Isso não é “caça às bruxas”. É instituição pública funcionando: é a presunção da inocência ativa; é o direito ao contraditório garantido; é MPF acusando; é juiz martelando o que tem que ser martelado. A ideia de que a “lei é para todos” precisa ser compreendida. Ou se entende isso, ou é a barbárie.

Siga o ac24horas no Google Notícias e seja o primeiro a saber tudo que acontece no Acre

Seguir no Google

Veja também

Newsletter

Fique por dentro do que acontece no Acre

Receba em primeira mão as notícias mais importantes do estado direto no seu e-mail. Política, economia, segurança e tudo que impacta a vida dos acreanos.