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Furo no roteiro de Vale Tudo: A contradição absurda criada na virada de Raquel

Raquel (Taís Araujo) em cena de Vale Tudo: protagonista comprou empresa renomada na novela - Foto: Reprodução/TV Globo
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Na fase mais esperada da trajetória de Raquel (Taís Araujo) em Vale Tudo, o público se deparou com um furo de roteiro gritante. A falta de seguro para danos causados por incêndios na Paladar entra em contradição com os argumentos que fizeram a cozinheira se arriscar na empreitada. Além disso, não foi explicado porque ela teve de ir à luta atrás de clientes se a empresa era tão consolidada, como o ex-dono havia dito.

Em capítulos anteriores da novela das nove da Globo, Laudelino (Herson Capri) vendeu a Paladar como uma empresa já estabelecida, com infraestrutura pronta, vasta carteira de clientes e renome no mercado. Uma das principais do ramo de catering do país, ele alardeou.

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Foi esse “pacote” que justificou todo o esforço da cozinheira e de Poliana (Matheus Nachtergaele) para adquirir a empresa. Afinal, eles estavam com um restaurante indo muito bem na hípica.

Raquel ainda pegou o prêmio de R$ 1 milhão do concurso de culinária e se associou a Celina (Malu Galli) para poder comprar a empresa. Tudo isso foi jogado para debaixo do tapete pela autora Manuela Dias para criar um drama e adiar em dois capítulos a transformação de Raquel, que pintou os cabelos e passou a se maquiar e usar roupas mais elegantes, de alfaiataria.

Após meses de obra, Raquel surgiu toda bonitona correndo atrás de novos clientes como se o negócio estivesse começando do zero. A Paladar não tinha contratos? Esses acordos não previam multas? Por que Raquel não manteve uma cozinha atendendo aos clientes da Paladar nesse período de reconstrução da sede?

Nenhuma explicação é dada ao telespectador, que se vê obrigado a engolir goela abaixo uma incoerência agravada pela falta de uma simples apólice contra incêndios –o que é exigido até por locatários de pequenos imóveis em um contrato comum de aluguel.

Obstáculos para adiar ascensão

Como a Paladar, que supostamente já atuava como fornecedora de refeições para várias empresas, sofre um prejuízo catastrófico por simplesmente não possuir uma proteção contra incêndios? A falta de lógica salta aos olhos, ainda mais por se tratar de uma cozinha industrial, obviamente sujeita a esse tipo de risco.

Esse conjunto de decisões tomadas por Manuela Dias tem causado estranheza em quem acompanha a novela com mais atenção. A impressão que dá é a de que a autora usou os obstáculos como um artifício para retardar a ascensão de Raquel no universo empresarial –um movimento que, se tivesse sido melhor amarrado, poderia enriquecer a jornada da personagem.

Só que, em vez disso, a falta de explicações transforma a virada de Raquel em algo descolado da realidade. Em uma história que fez sucesso no passado por denunciar as distorções sociais e o jogo de interesses no mundo dos negócios, esses deslizes soam como falta de cuidado e fazem o folhetim perder potência ao ser conduzido por conveniências do roteiro em vez de por conflitos bem elaborados.

Se a intenção era mostrar que o caminho para o sucesso é tortuoso e exige resiliência, faltou à novela fazer isso com mais verossimilhança e planejamento dramático. O público está atento –e não perdoa.

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