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Entre “sopros” e bailes: os desafios de uma candidata

Há uma mudança em gestação. Não é de agora. Já vai para além dos nove meses protocolares. Porque não é de gente que se fala: preparar um espírito é empresa que requer mais demora. O que está acontecendo com a vice-governadora Mailza Assis é algo que merece alguma reflexão. E tem interesse público. Sobretudo, porque envolve a máquina pública e quem a opera.

De forma jocosa e flertando com a misoginia, ao se falar em “Mailza Assis” em uma conversa, o interlocutor quase sempre respondia com o gracejo “a mulher mais sortuda do mundo”. E fundamentava a expressão lembrando que ela tem ocupado os cargos mais importantes que a política pode oferecer a uma liderança acreana, sem passar pelo escrutínio regular.
Não há como dizer que há equívoco no raciocínio. Ele é verdadeiro. Mesmo sem admitir publicamente, é uma situação que incomoda Mailza. De micro-comerciante em Senador Guiomard a vice-governadora, passando por quatro anos no Senado, essa condição de ter sido sempre vítima da sorte é algo que precisa ser superado (do ponto de vista estritamente político aqui se fala). Mailza sabe disso.

E ela decidiu mudar para ver. A decisão parece ter amadurecido já no primeiro ano do segundo mandato de Gladson Camelí, mantenedor da sua vida pública. Quando nomeada, cumulativamente, para a pasta da Secretaria de Estado de Assistência Social, em 14 de junho do ano passado, pode-se dizer que ali, institucionalmente, nasceu a candidata. Se a qualidade de administração na área social ainda não disse a que veio, a candidata passou a gritar.

Mas, em função do jeito sereno e meigo, a voz ponderada, quase sem vontade de dizer, muita gente ainda não acreditava na viabilidade de sua candidatura. Ao seu modo, ela gritava e não era ouvida por muitos. E muitos, diga-se de passagem, na esfera das cortes. Porque o povo mesmo… esse está cuidando de outras coisas. O trabalho de convencimento e de consolidação de uma candidatura que aqui se fala não é junto ao povo ainda. Trata-se, por enquanto, de um movimento interno, nos partidos e lideranças políticas. Com o povo, ela haverá de se mostrar de forma mais intensa no momento certo.

Mailza Assis não era reconhecida e respeitada como uma liderança nas entranhas do poder. Mas é preciso reconhecer: isso começou a mudar. E a declaração de Gladson Camelí na Expoacre Juruá durante a semana foi o gesto que faltava. Foi o sopro no berrante. Quem tem ouvidos para ouvir e interesses junto ao Governo a defender que ouça. Gladson falou para que ninguém tivesse dúvida. Se isso terá o peso de suas “determinações” do início do mandato, o tempo dirá.

A decisão de Mailza em ser candidata tem um preço. Ela já percebeu como é fina a pele da lealdade na rotina dos gabinetes. Nesse movimento, referendada pelo governador em Cruzeiro do Sul, a candidata tem conseguido espaços nas atenções alheias com uma sutileza: internamente, para aquele mesmo público outrora mouco às suas falas, Mailza passou a ser temida. Politicamente, isso é uma conquista. A lição é velha, tem 512 anos: não há uma liderança política sem temor.
As sutilezas e ponderações equilibradíssimas de Bocalom; as simpatias sinceras e humildades sem pretensão de Alan Rick e as implicações eleitorais com os aliados mais imediatos são equações que Mailza vai ter que resolver. Assim como ela, estão todos no mesmo espectro político e defendem o mesmo conjunto de valores. Como se dará a solução dessas equações é algo que ainda precisa ser devidamente calculado.

Mas a primeira etapa do problema de Mailza Assis foi superada: o desafio que ela se auto-impôs de ser testada nas urnas, agora, é apresentado como uma sentença interna aos cortesãos do Governo do Acre e ao Progressistas.

Nos bailes de carnaval do Juventus e do Rio Branco, antes da festa começar, os metais davam um primeiro sopro, forte e curto. Era o chamamento dos foliões para o salão. Quem estava longe fazendo alguma danação já sabia que precisava se apressar. Essa consolidação interna do nome foi um passo. Foi o sopro dos metais. Agora é que o baile vai começar.

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