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Bancada do Acre tem 75% dos parlamentares classificados como “populistas fiscais”

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Um levantamento conduzido pelo cientista político Fábio Vasconcellos, com base nas votações da Câmara dos Deputados sobre a questão do IOF e a ampliação do número de cadeiras parlamentares, revela que a bancada do Acre no Congresso Nacional é majoritariamente composta por parlamentares com perfil “populista fiscal”.

De acordo com o estudo, 75% dos deputados federais do estado votaram pela derrubada do aumento do imposto e, ao mesmo tempo, a favor do aumento de gastos com a ampliação da Câmara, comportamento apontado como contraditório do ponto de vista da responsabilidade fiscal.

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Os dados, representados em gráfico e divulgados pelo INCT ReDem, classificam os parlamentares em quatro categorias, conforme suas decisões nas votações analisadas: “populistas fiscais”, “adeptos da austeridade seletiva”, “fiscalmente expansionistas” e “fiscalmente responsáveis”. Os “populistas fiscais”, categoria em que três a cada quatro deputados do Acre se enquadram, rejeitam medidas para aumentar a arrecadação, mas votam a favor de iniciativas que elevam os gastos públicos, como a criação de novas cadeiras na Câmara, medida que deve gerar um custo extra de R$ 64 milhões anuais a partir de 2027.

Apenas 25% da bancada acreana foi classificada como “fiscalmente expansionista”, ou seja, favorável tanto ao aumento de receitas via impostos quanto à expansão do Legislativo. Nenhum parlamentar do estado foi identificado como fiscalmente responsável , perfil de deputado que apoiou o aumento do IOF e rejeitou o crescimento de despesas com mais parlamentares.

O resultado indica que, mesmo diante do discurso predominante de necessidade de ajuste fiscal e equilíbrio nas contas públicas, parte significativa dos representantes do Acre adota uma postura que privilegia benefícios políticos imediatos, em detrimento da sustentabilidade fiscal de longo prazo. O comportamento também reflete o fenômeno descrito por Vasconcellos como “responsabilização difusa de baixo custo”, no qual o Legislativo participa das decisões orçamentárias sem arcar com o ônus político por eventuais desequilíbrios fiscais.

O Acre ocupa a terceira posição no ranking nacional de bancadas mais “populistas fiscais”, atrás apenas de Alagoas (89%) e Paraíba (82%). O estudo também mostra que essa tendência é mais acentuada em estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde o voto por mais gastos é mais frequente, mesmo entre aqueles que se posicionam contra novos tributos.

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