Menu

MP investiga suspeita de irregularidades em licitação milionária do Saerb de quase R$ 40 milhões

Foto: Marcos Araújo/Secom
Receba notícias do Acre gratuitamente no WhatsApp do ac24horas.​

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) abriu investigação para apurar possíveis irregularidades em uma licitação de quase R$ 39 milhões realizada pelo Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb). A apuração teve início após denúncia apresentada em março pelo vereador André Kamai (PT), que levantou dúvidas sobre a transparência do processo e possível favorecimento a empresas com vínculos societários.

O foco da investigação é o Pregão Eletrônico SRP nº 102/2024, que prevê a contratação de empresa para fornecimento de Policloreto de Alumínio (PAC), produto utilizado no tratamento da água distribuída na capital. O contrato tem valor total de R$ 38,8 milhões, com vigência inicial de cinco anos, podendo ser prorrogado por igual período.

Anúncio

De acordo com a denúncia, a empresa Bauminas Química N/NE Ltda., inicialmente vencedora do certame, foi desclassificada após a emissão de um laudo técnico pela Universidade Federal do Acre (UFAC), contrariando parecer interno elaborado por engenheiro do próprio Saerb. Com isso, a Alquimia Produtos Químicos, segunda colocada, acabou sendo declarada vencedora.

O MP apura se houve falhas na condução do processo, como a suposta desconsideração do parecer técnico da equipe do Saerb e a possível falta de habilitação do professor da UFAC que emitiu o laudo externo. Também é investigada a origem desse parecer, se houve pagamento de honorários e por que laudos da NSF Brasil foram aceitos para uma empresa e recusados para outra — o que pode indicar tratamento desigual entre os concorrentes.

Outro ponto que está sob análise é um contrato emergencial celebrado anteriormente com a Síntese Logística Indústria e Comex Ltda., empresa que teria ligação societária com a Alquimia, levantando suspeitas de favorecimento cruzado.

A promotora de Justiça responsável pelo caso, Laura Cristina de Almeida Miranda, determinou o envio de ofícios ao Saerb, à Secretaria Municipal de Gestão Administrativa (SMGA) e à UFAC, solicitando documentos e esclarecimentos sobre os atos praticados, além da verificação da situação do professor da UFAC junto ao Conselho Regional de Química (CRQ).

Em discurso, o vereador André Kamai classificou o processo como “estranho, no mínimo” e destacou que o contrato milionário não pode ser tratado com indiferença. Ele criticou ainda outras licitações da Prefeitura de Rio Branco, como as do transporte coletivo e do programa Aedes do Bem, alegando haver um padrão de falta de transparência.

Kamai cobrou rapidez nas apurações e reforçou a necessidade de responsabilidade na gestão dos recursos públicos: “O dinheiro é da população. É preciso respeitar o cidadão e garantir processos sérios, com igualdade de condições para todos”, afirmou.

Siga o ac24horas no Google Notícias e seja o primeiro a saber tudo que acontece no Acre

Seguir no Google

Veja também

Newsletter

Fique por dentro do que acontece no Acre

Receba em primeira mão as notícias mais importantes do estado direto no seu e-mail. Política, economia, segurança e tudo que impacta a vida dos acreanos.