Menu

MP vai recorrer de decisão que livrou marido de Nayara Vilela do júri popular

Foto: Whidy Melo
Receba notícias do Acre gratuitamente no WhatsApp do ac24horas.​

O Ministério Público do Acre (MPAC) anunciou que vai recorrer da decisão da Justiça que rejeitou levar a júri popular o marido da cantora Nayara Vilela, encontrada morta em abril de 2023, em Rio Branco. A instituição afirma que houve omissão por parte do acusado e que o caso deve ser tratado como feminicídio.

Durante audiência de instrução realizada nos dias 8 e 9 de maio, o MP apresentou alegações finais nas quais sustenta que o homem deveria ser responsabilizado por homicídio comissivo por omissão — quando o agente, tendo o dever legal de agir para evitar o resultado, não o faz.

Anúncio

De acordo com o promotor de Justiça Efrain Mendoza, que atuou no caso, o acusado teria negligenciado o estado de saúde mental da esposa, mesmo ciente de tentativas anteriores de suicídio, além de manter uma arma de fogo acessível dentro de casa.

Para o MP, esses elementos indicam responsabilidade direta na morte da cantora. Mesmo assim, o juiz responsável pelo caso entendeu que não se tratava de crime contra a vida e rejeitou a ida do acusado ao Tribunal do Júri.

“Por acreditar que a sentença incorreu em injustiça ao desclassificar o crime para outro que não o contra a vida, entendendo o MP que todos os requisitos necessários para a pronúncia foram preenchidos, o MP irá recorrer com o objetivo de reestabelecer o curso justo do caso”, disse Mendoza.

Perspectiva de gênero

No recurso que será apresentado, o Ministério Público também vai pedir a aplicação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, aprovado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O documento orienta juízes e demais operadores do direito a levarem em conta desigualdades e estereótipos de gênero nas decisões judiciais.

A procuradora de Justiça Patrícia Rêgo, que atua em pautas relacionadas aos direitos das mulheres, defende que a aplicação do protocolo é obrigatória e necessária para que casos como o de Nayara Vilela sejam analisados de forma adequada ao contexto de violência de gênero.

“A adoção do Protocolo é essencial para assegurar uma interpretação constitucionalmente adequada das normas jurídicas, conforme os compromissos assumidos pelo Brasil em tratados internacionais de direitos humanos, como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher e a Convenção Interamericana de Belém do Pará”, disse.

Com informações do MPAC

Siga o ac24horas no Google Notícias e seja o primeiro a saber tudo que acontece no Acre

Seguir no Google

Veja também

Newsletter

Fique por dentro do que acontece no Acre

Receba em primeira mão as notícias mais importantes do estado direto no seu e-mail. Política, economia, segurança e tudo que impacta a vida dos acreanos.