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Edvaldo Magalhães sai em defesa de Marina Silva: “espetáculo de horrores”

Foto: Iago Nascimento/ac24horas
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O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) fez duras críticas à falta de articulação política em torno da recuperação da BR-364 e cobrou mais união da bancada federal acreana para garantir recursos. Durante entrevista ao programa Boa Conversa – Edição Aleac, nesta quarta-feira, 28, o parlamentar destacou que a situação da rodovia é crítica e exige ações imediatas e estruturantes.

“O objetivo principal é você dar visibilidade para um problema que precisa de uma ação rápida e de uma ação perene, porque quando você tem um paciente que está doente, você tem que botar ele na UTI, e a partir daí, com os cuidados e a sua recuperação, você depois tem que fazer com que ele engorde, com que ele volte às condições normais. Essa é a situação da BR-364. Ela não aguentou passar quatro anos sem manutenção”, afirmou o parlamentar.

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O comunista pontuou que os serviços de tapa-buraco são apenas paliativos e insuficientes na BR-364. “Na medida em que você tem um recurso e faz um tapa-buraco, você faz um paliativo. Você está fazendo ali algo meio meia-boca, mas o importante é que se o meia-boca não for feito, as pessoas ficam sem acesso. Agora, precisa-se fazer o trabalho mais a fundo. Isso exige uma mobilização política, porque são recursos num volume significativo. Mas é muito importante que ele se inicie da forma adequada já neste ano”, reforçou.

O deputado destacou que o projeto prevê mais de 200 quilômetros de reconstrução da rodovia utilizando a tecnologia do macadame hidráulico. “É aquela base de pedra, num volume extraordinário, que é a tecnologia testada e aprovada, portanto, tem viabilidade. É mais caro, mas barateia ao longo do tempo, porque a manutenção é mais barata”, explicou.

Ao comentar a questão orçamentária, Edvaldo Magalhães não poupou críticas à falta de unidade da bancada federal do Acre. “Não dá para ser apoiador da BR-364 só de gogó. Cobrador oficial só de gogó, bancada federal, bancada do Senado, é para garantir, na disputa do orçamento, que esta obra seja, de fato, prioritária. Porque nós já tivemos uma prova disso. A prova mais inconteste disso é que nós tivemos um relator do orçamento que não colocou dinheiro para a reconstrução da BR-364. A oportunidade do Acre ter um relator do orçamento é quase que única em 100 anos”, criticou.

Ele também destacou que esse apoio “de mentirinha” precisa ser escancarado para a opinião pública. “Por isso que esse ajuntamento de forças políticas, essa junção de esforços, esse convite generalizado, independente de posição política e ideológica, para todos os atores da política e também para as instituições que são responsáveis pela execução e fiscalização do orçamento, faz com que a gente ponha o olhar prioritário na nossa BR-364, que é fundamental para o desenvolvimento do Acre”, concluiu.

Na mesma entrevista, o parlamentar também se manifestou em defesa da ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, após os ataques que ela sofreu durante uma audiência no Senado. “A Marina foi deputada estadual, foi da nossa casa aqui da Assembleia Legislativa, e ontem nós assistimos a um espetáculo de horrores. O debate político, a externação de diferenças de olhares sobre processos, procedimentos e legislação é natural do parlamento. Aliás, é muito bom que as diferenças se coloquem e se conflitem no debate político. O que nós vimos foi uma verdadeira arapuca armada”, lamentou.

Edvaldo não poupou palavras ao classificar os ataques sofridos pela ministra. “Eu vou ter que usar aqui uma expressão: de machos escrotos, sem nenhum tipo de sensibilidade, querendo acontecer, lacrar em cima de um debate, quando faltou àquelas pessoas a chamada força do argumento. Utilizaram preconceito, misoginia, ataques baixos. O fato é que o Brasil todo assistiu isso, e a Marina, que entrou de um tamanho naquele debate, saiu gigante, com a solidariedade que o povo brasileiro está externando a ela”, enfatizou.

“Você não precisa concordar com suas bandeiras e seus argumentos, mas todo mundo concorda que ela tem uma bela história, que tem seriedade, que trata as coisas de forma transparente. Ela não esconde o que defende e a força do que ela defende repercute no mundo”, acrescentou.

Edvaldo anunciou ainda que protocolou uma moção de solidariedade à ministra Marina Silva na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). “Ela é da nossa casa e a nossa casa sempre praticou o bom debate. Aqui, às vezes, até se eleva o tom de voz, mas nunca se desrespeita as pessoas por serem mulheres, pela cor da sua pele ou tenta-se calar as pessoas quando lhe falta a força do argumento, como foi o caso do presidente da comissão”, ressaltou.

Ao comentar o silêncio de algumas autoridades do Acre em relação ao episódio, Edvaldo criticou o posicionamento.“É estranho e revelador, porque muitos dos que silenciam fizeram parte de uma campanha sórdida contra a então senadora e agora ministra Marina Silva. Nós estamos precisando reaprender a ter uma boa convivência democrática. Eu posso olhar para o governador, que eu faço oposição, argumentar quais são os meus questionamentos, sem precisar atacá-lo de forma pessoal. Da mesma forma, eu exijo dele que questione o meu posicionamento sem precisar também me atacar”, pontuou.

Por fim, destacou que Marina Silva é exemplo de política feita com clareza, convicção e respeito. “Ela pode ser questionada em tudo, mas tem clareza, firmeza e convicção daquilo que defende e externa de forma democrática. Precisa ser tratada de forma democrática e com respeito. Por isso, nós teremos aqui esta moção, e certamente a Assembleia será solidária com a ex-deputada estadual, ex-senadora e agora ministra Marina Silva”, concluiu.

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