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Na véspera do início do conclave, cardeais têm a última congregação geral antes do isolamento total

Reprodução
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Na véspera do conclave, o Jornal Nacional abriu a edição desta terça-feira (6) direto do Vaticano. É de lá que William Bonner vai acompanhar a escolha do sucessor do Papa Francisco.

Os 133 cardeais que vão eleger o papa já estão em isolamento total. Não é uma eleição simples. Existe todo um ritual, são seguidas muitas normas. E a correspondente Ilze Scamparini conhece profundamente todas elas.

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De onde quer que se olhe, a cúpula mais monumental de Roma, porque é de Roma que se obtêm os melhores ângulos dela, a arquitetura de Michelangelo lembra aos romanos que quarta-feira (7) é dia de fumaça preta. A branca não seria impossível no primeiro dia. Aconteceu em 1503, quando a eleição papal durou só 10 horas, e Júlio II saiu coroado. O papa que, depois, iria encomendar os afrescos da Sistina a Michelangelo.

A reforma da antiga Capela Magna foi iniciada pelo tio de Júlio II, o Papa Sisto IV, no fim do século XV. Para cobrir as paredes com representações da Bíblia, convocou alguns dos maiores nomes do Renascimento: Botticelli, Perugino, Rosselli e Ghirlandaio – que viria a ser mestre de Michelangelo, então com apenas 5 anos de idade.

Nas paredes, de um lado, o Velho Testamento e a história de Moisés. Do outro lado, o Novo Testamento e a história de Jesus. No teto, foi pintado inicialmente um céu estrelado. Mais de 20 anos depois, Júlio II resolveu redecorar o teto, chamou então Michelangelo Buonarroti. Nos nove painéis centrais, ele retratou o livro de Gênesis, da criação à história de Noé, com a icônica imagem de Deus criando Adão, seus dedos quase se tocando.

Foram três anos de sofrimento mental e físico para Michelangelo, que se considerava mais um escultor do que um pintor. Ele se queixava também das condições exaustivas para pintar os 3,3 mil m² em um andaime improvisado, com a cabeça para trás e a tinta pingando no rosto.

Passaram-se mais 20 anos e outro papa, Clemente VII, chamou Michelangelo de volta, agora para cobrir a parede atrás do altar. Ali, o artista retratou o Juízo Final e o retorno de Jesus. Clemente não viu o fim da obra, que foi completada na época de Paulo III, em 1541, quase 60 anos depois da reforma de Sisto.

Passaram os séculos, mas o conclave continua sendo um evento imponderável. Nesta terça-feira (6), na entrada da última reunião preparatória, os cardeais estavam mais apressados e menos sorridentes do que nos últimos dias. Entre eles, Pierre Batista Pizzaballa, visto como um forte candidato.

A barca de Pedro ainda aparece com nomes demais para o seu comando: 26 deles falaram sobre vários assuntos, como a luta contra os abusos sexuais, transparência econômica, o empenho da Igreja pela paz e pela saúde do planeta. Segundo fontes diplomáticas do Vaticano, o próximo papa deverá assumir uma personalidade global contra as guerras e em defesa do meio ambiente, como fez o Papa Francisco. Sobre isso não se pode mais voltar atrás.

Mas o que também sai de dentro dos muros é que fogo amigo pode estar atingindo os principais favoritos. Como o italiano Pietro Parolin e o filipino Luis Antonio Tagle. O sermão do vigário geral de Roma, cardeal Baldassare Reina, em uma das missas em memória de Francisco, já tinha advertido:

“Não é hora para táticas, vingança e alianças de poder”.

Alianças já estariam se formando. Os asiáticos em favor de outro filipino emergente, Pablo Virgilio Siongco David, de 60 anos. E os africanos pelo congolês Ambongo Besungu. Os latino-americanos, inicialmente com Parolin, podem estar migrando para López Romero, espanhol, arcebispo de Rabat, Marrocos, com grande experiência em países da América do Sul.

O carimbo de chumbo do papa, utilizado em vida para selar os seus documentos, foi anulado nesta terça-feira (6). Também o anel do pescador, que representa Pedro, o primeiro papa, e que não foi usado por Francisco.

Os que vão trabalhar para que os cardeais possam eleger o novo pontífice prestaram nesta terça-feira (6) juramento de silêncio.

A maioria dos cardeais entrará na noite desta terça-feira (6) na Casa Santa Marta. Alguns deles, nesta quarta-feira (7), às 7h. A casa ao lado, conhecida como Santa Marta Velha, irá abrigar uma pequena parte deles. Na mala, levarão só roupas, livros religiosos e cadernos em branco, sem nenhuma anotação. Fones de ouvido estão proibidos e celulares, claro, nem pensar. Prestarão juramento de sigilo absoluto. Na quarta-feira (7), o isolamento os espera.

Na Capela Sistina, todos os detalhes estão no seu devido lugar. O nome de cada cardeal e os mecanismos de votação. Na quarta-feira (7), será só um escrutínio à tarde. Na quinta-feira (8), são previstas quatro votações. E será assim até que o papa seja eleito com a maioria de dois terços.

Enfim, o quarto das lágrimas, uma salinha sem janela entre as paredes da Sistina, para a qual o vencedor é levado logo depois de eleito para extravasar a emoção e vestir a roupa de Sumo Pontífice.

Já estão prontas as batinas brancas, de três tamanhos diferentes, feitas pelo famoso alfaiate romano, que correu para entregar em tempo. Com uma curiosidade que não é só dele: qual o manequim será o do futuro papa e, acima de tudo, quem vai usar a nova batina?

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