A proposta da Prefeitura de Rio Branco de transferir o Centro Pop, serviço essencial de atendimento à população em situação de rua, para bairros mais afastados da região central da cidade, tem gerado apreensão entre os usuários do serviço.
Dependentes químicos atendidos pelo local argumentam que a mudança aumentará a vulnerabilidade e a falta de segurança, além de dificultar o acesso às assistências oferecidas.
Kelson Alves, um dos entrevistados ao ac24horas Play, classificou a mudança como “burrice” e apontou a ausência de políticas eficazes para a recuperação da população de rua. “Então, a culpa não é da sociedade. A culpa não é nossa. A culpa é do poder público, que não resolve isso. As casas de apoio que existiam foram fechadas. E agora, o que vamos fazer? Nada. Vamos roubar mesmo, porque para onde a gente for, vai ter que roubar”, afirmou.
Ele também destacou a fragilidade da rede de apoio e o impacto da transferência do serviço para bairros como o Castelo Branco. “Eu vou dizer isso. Não temos onde dormir, não temos nada para nós. Estamos todos ferrados aqui. Tem um único carro para setecentos moradores de rua. Isso não existe. A culpa não é dos funcionários. Eles fazem o que podem, tiram do próprio bolso para nos ajudar. Enquanto isso, a prefeitura não resolve nada, só tira o pouco que temos. Então, o culpado é o poder público. A sociedade tem que cobrar deles. Não adianta nada mudar a gente de lugar. Para onde formos, vai ser a mesma coisa. Se nos mandarem para uma fazenda, vamos acabar roubando gado por lá também. Para usar a minha droga, ninguém vai me dar dinheiro não, vou ter que roubar”, relatou.
Outro entrevistado, Emanuel Geraldo, reforçou a preocupação com a segurança. “Se for pra um lugar mais isolado, os caras vão buscar na hora. Aqui tem segurança, estamos na área militar. Se leva pra capoeira, é bala na hora. Rapaz, não tem como impedir. É o seguinte: tem uns que sabem se pedir um real por aí. Mas tem outros que não gostam nem que a gente olhe para a cara deles”, disse.
Durante a conversa sobre criminalidade e desigualdade social, Emanuel relatou a trajetória e a frustração que o levou ao crime. “Uma vez, eu vigiava carro, ganhava um dinheirão lá no canal, R$ 400 toda noite. Aí, Mustang lá, Mustangzão. Olha aí, pode tirar uma outra. Olha aí, vai se dar bem. Olha essa máquina aí e depois me deram R$ 0,50 centavos. Virei ladrão até hoje. Eu falei: ‘Eu vou roubar vocês’. Foi esse cara que fez eu virar ladrão. O cara da sociedade, bem estruturado, entendeu?”, relatou.
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