As negociações para a formação de uma federação entre o Partido Progressista (PP) e o União Brasil seguem avançando, mas enfrentam entraves em estados como Acre, Bahia, Pernambuco e Paraíba. O impasse, segundo o Valor Econômico, decorre de disputas regionais entre lideranças das siglas, que dificultam a consolidação do acordo.
No Acre, a disputa se concentra na sucessão estadual de 2026. O PP deve liderar a federação no estado, mas o arranjo enfrenta resistência devido às aspirações da vice-governadora Mailza Assis (PP) e do senador Alan Rick (União Brasil), ambos interessados na disputa pelo governo. O cenário se complica ainda mais com o posicionamento do governador Gladson Cameli (PP), que tem fortalecido Mailza em agendas oficiais, descartando as chances de Alan Rick ser o candidato da federação.
De acordo com a Folha de S.Paulo, o desenho da federação previa inicialmente que o PP de Gladson Cameli ficasse com o comando de diretórios estaduais no Acre, Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina. A medida beneficiaria caciques da sigla, como o presidente do partido, Ciro Nogueira (PI), e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (AL). No entanto, os diretórios do Acre e Pernambuco são alvos de disputa interna, especialmente por membros do União Brasil, como o senador Alan Rick, que busca disputar a cadeira do Palácio Rio Branco pela sigla de Antônio Rueda e ACM Neto.
Por outro lado, o União Brasil, comandado por Antônio Rueda, ficaria com estados como Ceará, Goiás, Amazonas, Bahia, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Norte e Rondônia. O controle de outros nove estados, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, seria de forma compartilhada.
A federação impõe um compromisso de quatro anos de união partidária, segundo regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para participar das eleições, o estatuto da federação precisa ser registrado até seis meses antes do pleito, o que pressiona as negociações entre PP e União Brasil.