Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA, apontam, conforme estimativas de fevereiro de 2025, que o Valor Bruto da Produção Agropecuária – VBP do Acre, deverá alcançar R$ 3,94 bilhões em 2025, superando em mais de R$ 513,5 milhões o valor de 2024 (R$ 3,43 bilhões).
O MAPA calcula o VBP, através de dados do IBGE, sobre as previsões da produção dos últimos 4 trimestres. O VBP é calculado pelo valor dos preços recebidos pelos produtores, a partir da média anual para os anos fechados para 2025, preços médios de janeiro a fevereiro, tendo como fonte o Cepea/Esalq/USP, CONAB e FGV/FGV.
Os dados do VBP anuais, presentes no artigo são apresentados desde o ano de 2016, em valores deflacionados pelo IGP-DI da FGV de fevereiro/2025. O VBP é dividido em dois grandes grupos: o de Lavouras e o da Pecuária. Os Valores totais e por grupos, referentes ao ano de 2025, constam no gráfico a seguir.
A criação de bovinos domina amplamente o VBP da pecuária e a da agropecuária como um todo. Em seguida vem a produção de ovos (1,6%) e a produção de leite (1,1%). Dois produtos importantes da nossa pecuária, suínos e aves, por critérios técnicos, o IBGE, não publicou os dados de abates, o que fez com que o MAPA, ficasse impossibilitasse de calcular o VBP desses produtos, ambos de grande impacto na pecuária acreana. O único VBP dos suínos foi publicado em 2023, que totalizou R$ 23,7 milhões e representava 1,1% do total da pecuária, naquele ano.
Portanto, desde 2020, a pecuária bovina domina amplamente, não só o VBP da pecuária em geral como também o da total da agropecuária acreana. No gráfico a seguir, destacam-se o valor da VBP dos bovinos e os seus respectivos percentuais de participação na pecuária, desde 2016.
VBP da mandioca representa 40,6% das Lavouras e 12% da Agropecuária
Em relação às lavouras, cujo VBP para 2025 foi estimada em mais de R$ 1,14 bilhão apresentando um crescimento de 6,8%, em ralação a 2024. Os VBP dos principais produtos da lavoura acreana constam no gráfico abaixo.
Percebe-se que a soja, embora seja a lavoura mais representativa das exportações acreanas para o mercado externo, é apenas o 5º maior VBP dentre a previsão das lavouras para 2025.
Mandioca e banana em baixa. Café, soja e milho em alta
Merecem destaques, alguns importantes movimentos na produção das lavouras acreanas nos últimos anos. De um lado, temos a queda no VBP de alguns produtos tradicionais, produzidos, inclusive, pela pequena produção familiar rural. Estamos falando da mandioca e da banana. Por outro lado, temos uma ascensão de três outras lavouras (do café, da soja do milho). No gráfico a seguir, destacam-se a trajetória dos últimos 11 anos do comportamento do VBP de três produtos selecionados: mandioca, soja e café.

O gráfico de linha, por si só, expressa a derrocada da mandioca e o crescimento do café e da soja. A mandioca que já representou, em 2017, 76,2% do VBP das lavouras, chega a apenas 40,6% em 2025. Por outro lado, praticamente inexistentes, no mesmo ano de 2017, a soja e o café, em 2025, apresentam participações expressivas no VBP, como podemos observar no gráfico, além de uma tendência de alta.
Em conclusão, pelos dados do MAPA, verifica-se uma nova configuração da agropecuária acreana. A manutenção e a expansão da pecuária, principalmente da bovina. O VBP da pecuária cresceu 57,7% nos últimos 5 anos. Já a VBP das lavouras, apresentou um crescimento mais discreto, somente 9% nos últimos 5 anos. Porém, as lavouras, apresentam uma nova dinâmica interna, causadas, principalmente, por oportunidades de mercado e/ou por mudanças em padrões tecnológicos.
Observam-se culturas tradicionais em queda. Estamos falando da mandioca e da banana, culturas tradicionais da produção rural acreana e ambas com bons níveis de produtividade, principalmente a da mandioca, que é a maior do Brasil. Nesse caso esses produtos precisam de um acompanhamento de perto das autoridades públicas do setor, pois atinge diretamente uma ampla cadeia de pequenos agentes envolvidos.
Por outro lado, saudar o crescimento de outros produtos que se mostram extremamente competitivos nos mercados nacional e internacional (café, soja e milho). Espera-se que esses produtos possam significar um novo momento da agropecuária acreana. Que suas produções sejam inclusivas e sustentáveis, tanto do ponto de vista ambiental como social.
Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas