Menu

Gasolina, álcool e diesel ficam mais caros a partir de hoje

Receba notícias do Acre gratuitamente no WhatsApp do ac24horas.​

A gasolina, o álcool combustível (etanol) e o diesel ficam mais caros a partir de hoje em todo o Brasil. Os reajustes devem pressionar a inflação, principalmente a de alimentos, trazendo mais dor de cabeça ao governo Lula (PT), que tenta conter a subida de preços.

O que aconteceu

Anúncio

O reajuste se deve à diferença entre o que é cobrado por esses combustíveis no Brasil e no exterior. Enquanto o preço do diesel no país está defasado em 15%, essa diferença é de 6% para a gasolina, segundo estimativa da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

O diesel sofrerá dois reajustes. Como sua defasagem é maior, as distribuidoras pagarão R$ 0,22 a mais por litro do combustível, enquanto o ICMS sobre o produto também vai aumentar a partir de hoje. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços sofrerá reajuste de R$ 0,06 por litro do diesel. Enquanto o litro do combustível passará a custar R$ 3,72 para as distribuidoras, o ICMS ficará em R$ 1,12 por litro, em média.

Já a gasolina e álcool serão reajustados apenas pelo percentual do ICMS. O imposto para esses combustíveis sofrerá aumento médio de R$ 0,10 por litro, elevando seu valor para R$ 1,47.

A estatal afirma que o preço do diesel caiu nos últimos anos. “A Petrobras reduziu, desde dezembro de 2022, os preços de diesel”, diz em nota. “Considerando a inflação do período, esta redução é de R$ -1,20 por litro ou 24,5%.” Pela primeira vez em 13 anos, a petroleira fechou um ano inteiro —2024— sem reajustar o combustível.

Diante do temor de que o governo interviesse nos preços da estatal, investidores pressionavam a Petrobras pelo aumento. “A ex-presidente Dilma [Rousseff (PT)] tentou segurar a inflação evitando reajustes nos combustíveis e quase quebrou a Petrobras”, diz José Alberto Gouveia, presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo).

A contenção de preços no governo Dilma gerou uma perda de R$ 100 bilhões à petroleira. A estimativa, que considera o que a empresa deixou de ganhar e o que ela gastou para segurar os preços, é de Mauro Rodrigues da Cunha, à época conselheiro da estatal, em depoimento à CPI da Petrobras, em 2015.

A Petrobras anunciou no ano passado que havia mudado sua política de reajuste. Ela já não segue a política de paridade internacional, que reajustava o preço dos combustíveis de acordo com as variações do dólar e da cotação do petróleo fora do Brasil.

A representação dos motoristas de carga lamentam o reajuste. “O diesel é responsável por aproximadamente 35% dos custos operacionais no transporte rodoviário de cargas”, afira o presidente da FETCESP (Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de São Paulo), Carlos Panzan. “A elevação desse insumo impacta diretamente o setor, especialmente em segmentos como o agronegócio, que dependem de rotas longas e caminhões pesados.”

“O repasse desse aumento ao valor do frete não é imediato, podendo levar até quatro meses para ser efetivado, devido à necessidade de negociações e ajustes contratuais.”
Carlos Panzan, da FETESP

Inflação alta e comida ainda mais cara

Esses reajustes devem aumentar a inflação e, principalmente, o preço dos alimentos. “No Brasil quase tudo é transportado por caminhões. Então, se aumentou o custo do frete, esse valor será passado para os produtos e repassado para o consumidor”, diz Gouveia.

O impacto no aumento do diesel sobre a inflação será “significativa e abrangente”, embora indireto. “O diesel é fundamental no frete, que afeta toda a cadeia de alimentos e produtos importantes”, diz Alexandre Espirito Santo, economista da Way Investimentos e coordenador de Economia e Finanças da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

Vários [setores] sofrem, mas alimentos, até pelo peso nos índices de inflação, é o que mais preocupa.
Alexandre Espirito Santo, economista

Já o aumento da gasolina terá impacto direto sobre o IPCA, o índice de preços que mede a inflação. “A cada 1% de aumento da gasolina, sobe aí 0,5% no IPCA. Então, o aumento da gasolina vai repercutir diretamente sobre o IPCA, pois esse índice considera a variação dos preços nos bens e serviços consumidos pelas famílias em geral”, diz Renata Silveira Bilhim, advogada especializada em Direito Tributário.

Para o professor da ESPM, os reajustes trarão dor de cabeça ao governo Lula. Ele acredita que o Banco Central precisará manter a trajetória de alta dos juros para conter a inflação, que no ano passado ficou acima das expectativas. “Não tenho dúvidas de que este ano o Brasil vai estourar o teto da meta da inflação”, que é de 4,5%. “Minha projeção é de IPCA em 5,4% no ano fechado.”

A subida nos preços de alimentos ajuda a explicar o aumento na taxa de reprovação do governo Lula, hoje em 37%. “O brasileiro está sentindo o aumento do preço dos alimentos. É a terceira razão que explica a queda na avaliação do governo Lula”, afirmou ao UOL News Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest. Em 2024, a inflação dos alimentos foi de 8,23%, enquanto o índice cheio do IPCA variou 4,83%.

Siga o ac24horas no Google Notícias e seja o primeiro a saber tudo que acontece no Acre

Seguir no Google

Veja também

Newsletter

Fique por dentro do que acontece no Acre

Receba em primeira mão as notícias mais importantes do estado direto no seu e-mail. Política, economia, segurança e tudo que impacta a vida dos acreanos.