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Lula sanciona lei que proíbe uso de celular nas escolas

“Muitos têm manifestado verdadeiras crises de abstinência quando afastados de seus celulares", relatou a pedagoga e psicóloga Marina Rampazzo - Arquivo/EBC
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O presidente Lula (PT) sancionou o projeto de lei que proíbe o uso de celular para alunos das escolas públicas e privadas do Brasil nesta segunda-feira (13).

O que aconteceu

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Os aparelhos passam a ser vetados durante as aulas, recreios e atividades extracurriculares. A exceção é para fins pedagógicos ou em casos de emergência — para garantir a acessibilidade ou para alunos diabéticos, por exemplo, que usam o aparelho para a medição da glicemia.

A lei vai ser regulamentada pelo governo em até 30 dias. A regra passa a valer tanto para escolas públicas quanto particulares.

Com apoio do governo, o projeto envolveu partidos de diferentes espectros políticos — do PT ao PL. O autor da proposta é o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS).

O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que o brasileiro é a segunda nacionalidade que mais usa aparelhos celulares no mundo. “Quanto mais jovem a criança, mais cedo foi seu acesso à internet e cada vez mais está ficando mais complicado para os pais segurar esse acesso”, afirmou o ministro, em apresentação fechada.

O que nós estamos claramente dizendo é que nós queremos que o uso desse equipamento celular, que está acontecendo em muitos países do mundo inteiro, é que só pode ser utilizado em sala de aula para fins pedagógicos e sob a orientação do professor, daquela disciplina.
Camilo Santana, ministro da Educação.

Com a sanção de Lula, o Brasil se une a dezenas de países que já proíbem o uso do aparelho. Segundo o Relatório Global e Monitoramento da Educação da Unesco, um em cada quatro países do mundo já adotou leis que proíbem o uso do aparelho nas unidades de ensino. Entre eles estão a França, pioneira no tema, Espanha, Grécia, Finlândia, Suíça e México.

Estudos nacionais e internacionais têm apontado os problemas do uso excessivo de celular por crianças e adolescentes. No Pisa 2022, principal avaliação mundial da educação, oito em cada dez alunos brasileiros de 15 anos disseram que se distraem com o uso de celulares nas aulas de matemática.

As escolas deverão disponibilizar “espaços de escuta e acolhimento” para alunos que sofram pelo uso imoderado de telas. O projeto de lei determina que as unidades de ensino precisam acolher os alunos e funcionários que possam enfrentar “sofrimento psíquico e mental” pela nomofobia, que é o medo irracional de ficar longe do celular.

Redes de ensino devem criar estratégias para abordar saúde mental, segundo o projeto. As secretarias e as unidades de ensino devem elaborar formas de falar com os alunos sobre os “riscos, sinais e a prevenção do sofrimento psíquico de crianças e adolescentes, incluídos o uso imoderado dos aparelhos”.

Lula chamou a aprovação pelo Congresso de “um ato de coragem”. “Eu penso que os números que o companheiro Camilo mostrou aí, as várias pesquisas, demonstram o acerto que vocês tiveram de aprovar essa lei. Vários países já aprovaram e outros estão discutindo isso. Porque, no fundo, no fundo, o ser humano nasceu para viver em comunidade”, afirmou o presidente, que, além de não ter celular, é um grande crítico das redes sociais.

O que vocês fizeram foi um grande gesto de dignidade com o futuro deste país. A gente precisa voltar a permitir que o humanismo não seja trocado pelo algoritmo.
Lula, após a sanção da lei

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