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“Rei dos jingles” no Acre explica processo de produção, valores, calotes e frieza ideológica

Foto: produtor musical David Santos I Whidy Melo/ac24horas
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A campanha eleitoral no Brasil tem como um dos elementos mais populares o jingle – uma mensagem musical publicitária e elaborada com um refrão simples e de curta duração, que tem como objetivo “colar” nome e número de um candidato na cabeça do eleitorado. No Acre, o produtor musical David Santos, do estúdio Menorá, contou ao ac24horas como o produto é feito e os desafios impostos pela nova resolução do Tribunal Superior Eleitoral, que proibiu o uso de paródia em campanhas das eleições 2024.

De acordo com David Santos, enquanto alguns candidatos e marqueteiros chegam no estúdio com a ideia praticamente definida, outros não tem ideia de como querem a música. “Quando a pessoa ainda não tem nada do que quer, o que eu faço é sentar com o candidato e ouvir a história dele, a trajetória política, para que a letra e o ritmo represente aquilo que a pessoa é de verdade, porque quem ouve o jingle vai notar se o que está sendo dito é uma mensagem fiel à história de vida e à proposta que aquele candidato está colocando para o seu eleitorado”, diz o produtor.

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Foto: Whidy Melo/ac24horas

Nos últimos anos, conta David, o cenário publicitário em torno do tema mudou.

Antes era necessário um trabalho de produção com músicos, cantores, coros musicais e o envolvimento de muitos profissionais. Hoje o trabalho se dá, basicamente, na frente de teclado e computador, onde o produtor consegue tocar todos os instrumentos e ainda colocar voz com ajuda de instrumentos virtuais. Em tese, a mudança baratearia o jingle, mas a nova medida imposta pelo TSE, que desautorizou o uso de paródias musicais não autorizadas, obriga a criação de uma base melódica nova para cada produto final.

“Agora é mais caro. Nas eleições passadas, para vereador e deputado estadual era a partir de R$ 500, para prefeito e governador era de R$ 1 mil pra cima. Agora os valores dobraram porque o trabalho também é dobrado”, explica.

Profissão exige frieza ideológica

Foto: Whidy Melo/ac24horas

David Santos explica que na profissão não há como ter uma discussão ideológica de esquerda ou direita: o trabalho é uma fonte de renda isenta. O produtor do jingle que ajudou a eleger Major Rocha a deputado federal em 2014 (ouça aqui), diz que o importante é vender o trabalho. “Eu não tenho lado. O que a gente faz é arte, o jingle, não importa se é direita ou esquerda, tanto que em Bujari, por exemplo, estou produzindo para dois candidatos que são adversários. O que me importa é vender o meu produto”, contou.

Calotes

“Eu já fui enrolado por alguns candidatos, inclusive que ganharam. Fiz jingles, não pagaram, mas Deus é tão bom que depois a polícia prendeu eles”, falou David Santos.

Foto: Whidy Melo/ac24horas

Muito além do período de campanha

Apesar do trabalho com publicidade de campanha ser uma boa forma de renda, as eleições só acontecem a cada dois anos. Por isso, o principal trabalho de David Santos é a produção de músicas instrumentais, gravação de videoclipes e produção musical profissional. No YouTube, o canal da Menorá já ultrapassou as 3 milhões visualizações, com o vídeo principal tendo sido visto por mais de 2 milhões de pessoas.

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O contato para contratação de produção de conteúdo da Menorá pode ser feito pelo instagram da produtora (@menorapraise).

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