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A desconstrução dos palanques e a falta de iniciativa

Um sopro de lucidez. Assim pode ser sintetizada a agenda do programa Exporta Mais Amazônia no Acre. O que pretende a iniciativa? Pretende o que o nome já deixa óbvio. Se é óbvio, então por que o entusiasmo do editorial em classificar o evento como “um sopro de lucidez”?

Bom… aí já faz parte de discussões em que esse espaço usou bastante tinta para debater: tratar a região com o respeito à diversidade, demonstrado no encontro promovido pela Apex Brasil, tem, no fim da linha, o debate sobre os modelos de desenvolvimento como pano de fundo. E isso tem sido moeda rara por aqui. Daí a sensação de que o mínimo que se fale já traz um alento.

Quer o leitor uma demonstração de que a sensatez tem sido moeda rara por aqui? Ontem (25), o auditório do Sebrae/AC ficou pequeno: um fórum representativo o diverso de vários segmentos do comércio e da indústria regionais; havia a presença de um ministro de Estado (ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar); o presidente do Incra, Cesar Fernando Schiavon Aldrighi; o presidente do Banco da Amazônia, Luiz Cláudio Moreira Lessa e o presidente da Apex Brasil, Jorge Viana.

Pelas figuras e pela gravidade dos cargos, o leitor há de admitir que a agenda estava qualificada para debater Economia, Negócios, desenvolvimento regional, inovação, escala de produção, diversidade da base produtiva, exportações, mercados. Pois bem, diante dessa relação de debates e conceitos, a pergunta: onde estava o governador Gladson Cameli? E a vice-governadora Mailza Assis? Foram ausências obviamente muito sentidas.

Nesse aspecto, a atual percepção do Palácio Rio Branco sobre o ambiente político e econômico do Acre carece de maturidade. Fulanizar o encontro Exporta Mais Amazônia como um “evento do Jorge Viana” é enviesar o debate de uma forma perigosa para um lugar onde falta dinheiro em todo canto.

É preciso refinar o debate; é preciso ter disposição para desconstruir palanques. Aliás, político que ainda não percebeu a necessidade de olhar o povo com o olho “no mesmo top” ainda não entendeu a cena. Os palanques colocam o povo sempre em posição abaixo do que ele merece.

O Exporta Mais Amazônia não é feito e pensado exclusivamente para o Acre. No plano geral, trata-se de uma concepção defendida publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de descentralizar as exportações brasileiras, sempre concentradas no Sul e Sudeste. A ideia é diversificar: ampliar a participação do Norte e do Nordeste na agenda de exportações do país.
A versão acreana do Exporta Mais Amazônia demonstrou a força do cooperativismo regional. E a grande estrela não poderia ser outra: a Cooperacre, a cooperativa que nasceu da régua e do compasso do primeiro mandato de Jorge Viana à frente do governo do Acre.

A Cooperacre, que soube crescer e se impor no sensível mercado da castanha, agora amplia ação no beneficiamento de polpa de frutas. A cooperativa vai precisar da ousadia de muitos agricultores de base familiar para poder atender a mercados exigentes e com polpa de fruta concentrada (não são aquelas polpas que mais parecem água congelada).

No Acre, 20 empresários de pelo menos 15 países estavam dispostos a saber o que a iniciativa privada do Acre tinha a oferecer. O que os governos estaduais e municipais precisam fazer para que os produtos estejam à disposição dos mercados é uma tarefa que cabe ao Acre responder. O que as empresas querem é simples: produtos com excelente qualidade; regularidade na oferta e (o gargalo do Acre) escala de produção. É um tripé básico para quem pretende acolher o cliente no mercado externo.

Por isso, o encontro foi representativo e muito bem estruturado: ministro da Agricultura Familiar e presidente do Incra (esses dois personagens são garantia de que o Planalto está disposto a tomar as decisões necessárias); presidente da Apex (abertura de mercados, conhecimento, assessoria focada no mercado exterior); presidente do Banco da Amazônia (garantia de que a instituição financeira apoia a iniciativa).

As condições foram apresentadas. Agora, cabe aos empresários locais e aos governos se remexerem e mostrarem que a ousadia e a agilidade fazem parte da rotina de trabalho. A iniciativa privada do Acre precisa mostrar iniciativa, desapegada de bandeiras políticas.

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