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BR 364: ajoelhou, tem que rezar

Os dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre os acidentes nas rodovias federais parecem manter acesa a luz de emergência na BR 364, a rodovia com o maior número de acidentes em 2022: ali, foi contabilizado um total de 997 acidentes com vítimas. Sorte dos acreanos que a estrada corta vários Estados e não somente o Acre é vítima desse descaso oficial.

Em relação ao número de mortes, a BR-364 é a rodovia em que mais se morre. Somente em 2022 foram 79 vidas perdidas nesta rodovia.
“224 acidentes foram registrados em 2022 nas rodovias federais que cortam o Acre, sendo 198 com vítimas (mortos ou feridos)”, diz a CNT, lembrando que assim como os dados nacionais, a BR-364 é a que mais mata no Acre.

O custo anual estimado dos acidentes ocorridos em rodovias federais no Acre chegou a R$ 44,55 milhões em 2022.

Esses números já estão largamente divulgados desde o começo deste ano, mas o Governo do Acre parece ignorá-los desde sempre — e não somente por omissão com as vítimas da precariedade da BR-364, mas também por causas político-eleitorais que remontam o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Naquela época, o governo do Estado relegou a estrada a um plano parlamentarista, que também acabou fechando os olhos para o drama que motoristas e usuários viviam ao tentar percorrer o trecho que separa Rio Branco de Cruzeiro do Sul.

Para que tais números e argumentações? Simples: agora, políticos como Mailza Assis, vice-governadora do Estado, saiu aos quatro ventos vendendo facilidades sobre a rodovia. “Em reunião virtual com o ministro-chefe da Presidência da República, Rui Costa, e secretários estaduais conseguimos garantir a destinação de R$ 910 milhões em recursos para a recuperação da BR 364”, afirmou Mailza.

E antes, o Palácio do Planalto não era o aliado? Quantas facilidades como essa a vice-governadora veio a público expor? Ora, essa! O jogo do “se colar, colou” não cola no eleitorado acreano dado seu nível de politização.

Mas a gestora aposta. Tende a perder caso o Planalto ao menos demore para liberar o tal recurso-ou que o fragmente, à expectativa de clima amistoso dos parlamentares federais do Acre. Dos valores anteriores, prometidos pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, quanto já foi aportado?

É bom que esses recursos se transformem em benfeitoria e que especialmente a BR-364 vire “um tapete” em território acreano. E que os números futuros da CNT sejam menos trágicos.

Religiosa e bastante dedicada à literatura espiritual, Mailza já deveria saber que no jogo político-eleitoral ajoelhou tem de rezar.

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