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Em reduto bolsonarista, Jorge Viana fala o que os barões do agronegócio querem ouvir

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O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, cumpriu nesta segunda-feira, 10, extensa agenda na cidade de Sorriso, no Estado do Mato Grosso, considerada a capital do agronegócio, e apontada nas últimas eleições como um dos redutos bolsonaristas, onde a maioria esmagadora de seus habitantes formada por produtores rurais apoiaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na oportunidade, Viana assinou um convênio de quase R$ 1,4 milhão com a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), representada pelo seu presidente Guilherme Nolasco. O Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, também participou do ato de assinatura. A parceria entre APEX e a UNEM visa apoiar a participação de empresas brasileiras do setor de DDG e DDGS de milho no mercado internacional, aumentando o valor exportado, o número de empresas exportadoras e o valor agregado dos produtos no exterior.

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A região produz mais de 18 milhões de toneladas de milho e 50 milhões de toneladas em todo o estado de Mato Grosso, sendo que 30 milhões de toneladas são exportáveis, incluindo DDG e DDGS, que são soluções valiosas.

O palco da solenidade foi o Sindicato Rural de Sorriso que contou a participação de dezenas dos homens mais ricos da região, incluindo o mega empresário Eraí Maggi, considerado o “Rei da Soja”, com uma plantação estimada em 400 mil hectares de soja, milho e algodão. “Você falou tudo o que precisamos ouvir”, disse Maggi ao abraçar JV. O empresário integra o Conselhão – órgão recriado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a missão de auxiliar a pensar políticas públicas de desenvolvimento.

Em seu discurso, Viana rebateu fake news criadas para desestabilizar a relação do governo federal com os produtores rurais e reforçou que estava ali para trabalhar para eles. “Estou aqui para ser parceiro”, disse o chefe da Apex.

“O governo do presidente Lula trouxe de volta o que nós chamamos de diplomacia presidencial. Ele está andando pelo mundo levando os produtos e as empresas brasileiras. E o ministro e nós da Apex estamos trabalhando e materializando isso. Quando a gente vem aqui em Sorriso e Sinop, e faz esse convênio para que essa cadeia produtiva extraordinária do etanol do milho possa ser competitiva no mundo à fora, isso é fundamental. Então nós assinamos esse convênio com as indústrias e acho que essa região de Sorriso, Sinop, Rondonópolis e todo o estado de Mato Grosso precisa ser muito bem tratado, porque aqui nós temos um case de sucesso. Há um esforço muito grande dos produtores para melhorar a sua produtividade. E eu acho que nós enquanto governo, cabe a nós melhorarmos a infraestrutura, principalmente para abrir o mercado. O ministro Carlos Fávaro tem sido um grande parceiro. Nós temos viajado o mundo à fora e acho que com esse convênio que assinamos hoje aqui, essa cadeia produtiva que nasceu há pouco tempo, 5 ou 6 anos atrás, vai ganhar agora muito espaço no mercado internacional e também ajudar o Brasil a ter maior produção de proteína animal e fazer a transição energética”, reforçou Viana.

Jorge afirmou ainda que o Brasil perdeu muito tempo com conflitos que poderiam ser evitados. “E agora nós não temos tempo a perder. O Brasil, do ponto de vista do produtor, eu acho que o que eles poderiam fazer, já estão fazendo. Porque melhorou muito a produtividade, a ciência e a tecnologia. Nós temos hoje um belo arranjo produtivo que faz o Brasil competir, mas nós temos um problema. A nossa logística é cara. Então o ministro estava falando aqui que precisamos resolver o problema de algumas rodovias e trabalhar em uma ferrovia como a ‘ferrogrão’. Isso é fundamental para que a gente possa de fato enfrentar as dificuldades que a nossa logística tem, por exemplo, quando tem um dos maiores mercados, a China, a Índia e a Ásia. Se nós tivermos custo elevado dentro do Brasil com a nossa logística e Infraestrutura, aí o nosso produto perde valor e competitividade. Então eu acho que ferrovia sempre foi sinônimo de rentabilidade. Eu trabalhei com o código florestal e ferrovia não desmata e faz passar cargas enormes com baixo custo e conservando o meio ambiente. Eu acho que é fundamental e o presidente Lula já inaugurou agora ferrovias que ele tinha começado. Eu não tenho nenhuma dúvida que essa deverá ser uma prioridade do governo dele”, frisou.

Já o Ministro Carlos Fávaro reforçou que o governo Lula tem falado constantemente com a empresa construtora da Ferrogrão. “Temos estudos atualizados sobre a ferrovia, mas está judicializado o licenciamento e como disse o Jorge, é algo que iremos mostrar tecnicamente e ambientalmente, que é um projeto correto. E se necessário fazer umas adequações. Foi assim que se manifestou a Controladoria Geral da União no processo judicial para que se precisar revisar o licenciamento, que se revise, mas não parar essa obra estruturante tão importante para o Brasil. Queremos deixar claro que o governo do presidente Lula quer mudar e ser desenvolvido”, argumentou o ministro.

Após a solenidade, Fávaro e Viana foram convidados a se reunir a portas fechadas com representantes do Agronegócio. O encontro durou cerca de uma hora com um final bastante otimista, com direito a convites para futuras visitas, abraços e tapinhas nas costas, dando a entender que a disputa política virou coisa do passado. “Agora nós temos que pensar no futuro. A eleição já passou. Vamos trabalhar todos juntos”, disse Viana ao retornar para Brasília na comitiva do Ministro da Agricultura e Pecuária.

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