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A criança acreana é, antes de tudo, forte

O Acre não se vacina porque não quer. A disposição dos imunizantes em postos de saúde e as campanhas específicas que são feitas deveriam desautorizar o governador Gladson Cameli a assinar o decreto formalizando Situação de Emergência em decorrência do surto de Síndrome Respiratória Aguda Grave e Síndrome Gripal.

Mas, ao contrário. Ele foi praticamente obrigado a assinar em função do aumento vertiginoso de casos das duas síndromes. A irresponsabilidade nossa, dos pais ou outros responsáveis, responde por esse quadro extremo.

Essas síndromes têm relação direta com a baixa cobertura vacinal. Isso significa que a presença de crianças em Unidades de Terapia Intensiva hoje é, em certa medida, consequência da negligência e irresponsabilidade de muitos pais que se negaram a vacinar os filhos.

Impressionante a capacidade que o acreano teve de assimilar o negacionismo à Ciência como uma postura “político-ideológica”. Na semana passada, o presidente que mais propagou fake news em relação à vacina voltou à baila com mais desinformação sobre a vacina contra a covid-19. Para deleite de alguns.

O acreano que hoje está com aproximadamente 40, 50 anos injetou esse vírus do negacionismo na cabeça e o impõe aos filhos e netos. O que se deseja é que essa irresponsabilidade não lhe pese nas lágrimas e soluços ao lado do leito de UTI.

No Hospital da Criança, a maior unidade do Acre especializada em pediatria, 52 dos 60 leitos estavam ocupados. Com um detalhe: no Acre, só há leitos de UTI pediátrica na Capital. A cena é a seguinte: no Hospital da Criança, há 10 leitos de UTI pediátrica e 10 leitos de Unidades de Cuidados Intermediários; na Maternidade Bárbara Heliodora, há 10 leitos de UTI neo-natal. É um quadro que beira o caos. Profissionais de saúde e infância vivem no limite por aqui.

A expectativa dos médicos é que o número de casos das duas síndromes continue aumentando por mais duas semanas. Os médicos estão identificando uma co-infecção: covid, influenza e o vírus sincicial respiratório. Se o acreano tivesse compreendido a importância da vacinação, ao menos essa co-infecção não existiria.

É preciso esclarecer, no entanto, que UTI’s pediátricas não são “caminhas especiais” e que, portanto, basta comprá-las e distribuí-las nos hospitais e pronto, resolvido o problema… não é assim! Existe uma série de protocolos a serem obedecidos. São regras. Há, por exemplo, necessidade de ter médicos especializados em medicina intensivista para que o serviço seja oferecido. E não se encontra (e nem se forma) um médico desses em qualquer lugar.

Na prática, isso quer dizer que se uma criança de 1 ano que nasceu em Porto Walter ficar doente com uma síndrome dessas é rara a possibilidade de acesso à “caminha especial”. Qual o remédio para combater essa exclusão? Um dos medicamentos chama-se “gestão”. O outro se chama: “decisão política”. A necessidade de se reestruturar um plano de carreira médica corrige essas lacunas com tempo razoavelmente curto. Assim como é na Educação, em Saúde não existe mágica. As mudanças são processuais, mas precisam ser definidas e “insistidas”. É preciso querer fazer.

O governador Gladson Cameli não reagiu à toa. Há a questão técnica, relacionada ao número de leitos disponíveis; mas existe, sobretudo, a questão política. O governador não quer mais ouvir o carão que pegou das mães das 10 crianças que morreram ano passado com essas doenças. E nunca é demais lembrar que, naquela ocasião, o nível de ocupação de leitos era de 90%.

O ac24horas insiste na relação entre esse atual surto e a negligência de muitos, milhares de pais e mães do Acre em relação à vacinação. Até mesmo a vacina contra a poliomielite está com baixa cobertura por aqui. Não dá nem para dizer que os pais são ignorantes. Eles não ignoram. O que é um agravante. Eles decidem não vacinar os filhos. É um cenário muito mais caótico do que se imagina. A criança acreana é forte por natureza, sobretudo com os pais que têm.

O governo do estudo publicou no Diário Oficial desta sexta-feira, 23, que o Acre está em situação de emergência em decorrência de surto de Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave – SRAG.

O decreto, assinado pelo governador Gladson Cameli, justifica a situação pelo aumento na procura por atendimento nas unidades estaduais de saúde, com grande número de queixas de sintomas gripais e o relato da gravidade dos casos, os quais muitas vezes são submetidos à internação em leitos de terapia intensiva, causando superlotação e fila de espera por leitos.

Outro fator que contribui para a decretação do estado de emergência é a baixa cobertura vacinais em crianças, tanto da vacina contra influenza quanto da vacina contra COVID-19.

Outro fator que contribui para a decretação do estado de emergência é a baixa cobertura vacinais em crianças, tanto da vacina contra influenza quanto da vacina contra COVID-19.

A medida determina que órgãos e entidades competentes adotem, em caráter emergencial, as providências administrativas necessárias à ampliação da cobertura assistencial no âmbito da saúde pública estadual,

O prazo da situação de emergência é pelos próximos 90 dias.

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