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Renda cai, desigualdade cresce no Acre e chegam a níveis mais baixos desde 2012

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O IBGE divulgou recentemente o módulo de rendimento da PNAD Contínua. O documento mostrou os números do Brasil e de todos os Estados da Federação, para o período 2016-2021. Enquanto no Brasil o rendimento médio mensal real da população residente, com rendimento, a preços médios do último ano, medidos em reais (R$), caiu 4,4% em 10 anos , saindo de R$ 2.369 para R$ 2.265,00. No Acre a queda, para o mesmo período, foi de 16,8%, saindo de R$ 2.022,00 para R$ 1.682,00. Por outro lado, enquanto em 2012, o valor médio dos rendimentos do Acre representava 85,4% do Brasil, em 2021, esse percentual caiu para 74,3%. Os valores dos salários médios, tanto do Acre como  do Brasil, foram os menores da série histórica.

Já os rendimentos médios reais do trabalho, recebidos mensalmente das pessoas de 14 anos ou mais de idade, habitualmente recebidos, a preços médios do último ano (R$) do Acre, caíram 11,4%. No Brasil eles cresceram 1,2%, ambos para o período 2012-2021. A participação do salário médio do Acre em relação ao do Brasil que era de R$ 2.221 em 2012 foi para R$ 1.967,00 em 2021.

Para o IBGE, a inflação ajuda a explicar essas quedas, já que os valores da aposentadoria acompanham o reajuste do salário-mínimo e grande parte dos aposentados ganha o piso. Como os reajustes não estão compensando a inflação, é natural essa perda de valor. 

A pesquisa também mostra a desigualdade de renda no Acre em 2021. Após relativa estabilidade em 2019 (0,599) e queda em 2020 (0,515), o índice de Gini do rendimento médio mensal domiciliar por pessoa aumentou em 2021, mas num patamar abaixo dos dois anos antes (0,539). Quanto maior o Gini, maior a desigualdade. O Acre  possuía a décima sétima renda (per capita) mais concentrada do país.

Entre 2020 e 2021, a desigualdade aumentou em todas as regiões, sobretudo no Norte e no Nordeste. O IBGE explica que são regiões onde o recebimento do auxílio-emergencial atingiu maior proporção de domicílios durante a pandemia de COVID-19 e que, por isso, podem ter sido mais afetadas com as mudanças no programa ocorridas em 2021. A Região Nordeste se manteve com o maior índice de Gini em 2021 (0,556), enquanto a Região Sul apresentou o menor (0,462).

Já no que diz respeito apenas ao rendimento médio mensal de todos os trabalhos, o índice do Acre variou negativamente de 0,480 para 0,479. Esse resultado demonstra que o retorno de parte da população ocupada em 2021 reduziu a média de rendimento e não modificou o perfil da distribuição de renda do trabalho no estado. No rendimento do trabalho, em 2021, o Acre possuía a décima segunda renda mais concentrada do país.

No gráfico acima temos o percentual dos domicílios que receberam bolsa família de 2012 a 2021. Observa-se que o Acre atingiu o seu maior percentual em 2017 (30,3%). Nota-se também uma acentuada queda a partir de 2019 (26,9%), chegando em 2021 com somente 17,3% de domicílios contemplados. A média brasileira no mesmo ano foi de apenas 8,5% dos domicílios.

Assiste-se, portanto, o seguinte quadro na economia acreana:  redução do salário real seja total, seja do trabalho, concentração da renda e queda de contemplados no auxílio do Programa Bolsa Família.  Todos aliados com uma alta da inflação e de desemprego. Em economia isso chama-se de estagflação, levando riscos para a sua população, principalmente para a mais vulnerável.


Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas

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