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Diário do Acre: Comunidade Rio Branco, Resex Chico Mendes e Xapuri

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Cesário Campelo Braga

O sol ainda estava dormindo quando busquei Raimundinho, sua esposa e filho para seguir viagem. A visita era especial, íamos participar do aniversário da Raiara, irmã do Raimundinho e filha do Raimundão. No caminho de Xapuri paramos no posto de gasolina de Capixaba, onde você pode se servir de uma deliciosa baixaria, acompanhada de um farto copo de café com leite.


Buscamos a Ângela Mendes e seu esposo Lenon, em Xapuri, cruzamos a balsa para a Sibéria e começamos uma das missões mais importantes do dia: levar o bolo de aniversário. Raimundinho não queria levar o bolo, pois o balançado do ramal com certeza iria danificá-lo e ele não queria ser o responsável. Porém, todos decidiram que essa seria sua missão. Nem bem saímos e a cobertura do bolo já sentia o impacto do ramal.


Choveu na noite anterior, mas o ramal estava bom, eu andava preocupado, não sabia como estava a tração do carro, minha cachorra havia comido os fios do sistema. Um trecho conhecido onde formava um atoleiro não saia da minha cabeça, mas mesmo com ramal molhado, o trajeto estava sendo bem tranquilo. Já perto da casa do Raimundão, descendo a ladeira do “chifre quebrado”, o carro derrapou e caiu em uma vala.



O motor roncava, enquanto os pneus traseiros patinavam na lama, a tração mesmo não dava nem sinal de vida. Vamos seguir a pé, está perto dá nem cinco quilômetros até lá. Depois vemos o que fazer com carro. O bolo já não estava tão simpático como quando pegamos. Raimundinho passou o bolo para o Lenon, que com a destreza de um garçom carregava apenas com uma mão, vamos revezando disse para Lenon, Ângela depois de carregar o bolo e deixar sua marca na cobertura recolhia flores no caminho, já pensando em cobrir as falhas.


Chegamos e os convidados já estavam por lá, a comida estava cheirando bem, lavamos os pés na subida e fomos conversar. A história do carro atolado e do bolo foi o centro das conversas por um tempo. Um tempinho depois, Nelsinho apareceu por lá com a Leila, sua filha Gabriela e Noquinha. Quando contei a história do carro, Noquinha disse que quando o Nelsinho viu o carro parado, chamou de barbeiro o motorista que havia atolado na ladeira, no caso eu.


Juntamos alguns cabos de aço e fomos no carro do Nelson para desatolar, um quadriciclo nos acompanhou. Tentamos arrancá-lo com o quadriciclo, que patinava e o carro nem molgava. O jeito foi amarrar na caminhonete, que com certa facilidade nos tirou da vala. Chegamos e lavamos novamente os pés pra subir. A mesa do almoço já estava posta e tinha comida pra um batalhão.



Algumas falas abriram a festividade. Por fim, a aniversariante falou da felicidade em contar com a presença de todos. Liberam a comida e a festa era grande, galinha caipira, pato no tucupi, tinha de tudo um pouco. Tomei tanto caldo de tucupi que terminei suado.


Ainda não tinha nem dado tempo da comida “sentar na barriga”, quando começou os parabéns. O bolo, cansado da viagem, foi decorado com alguns enfeites do Lula, que cobriam as imperfeições. Aliás, a festa era toda vermelha e tinha como tema principal o ex-presidente. Raimundão fundador do PT no Acre, transmitiu a toda a família o amor ao partido e ao companheiro que inclusive é seu amigo pessoal.


Depois do bolo, os convidados foram saindo, eu fiquei, dormi por lá nesta noite. Me chamaram para ir ao campo bater uma pelada, mesmo sem ter levado minhas chuteiras, coloquei um short e fui ver esse futebol. Já chegamos e marcamos nossa cerca, eu, Raimundinho e Rogério juntos com mais alguns que estavam atrás da trave assistindo.



A pelada foi boa, animada, ganhamos algumas cercas, não consegui deixar o meu, mas alguns dribles e passes estão anotados por lá. Depois do banho, Raimundão ligou a TV no Fantástico, assistimos, conversamos e debulhamos o milho das galinhas. Raimundão me perguntou sobre política e a guerra na Ucrânia, por lá só dar de saber o que a TV conta.


Maria nos chamou pra jantar, fomos depois de terminar com o milho, ainda tinha pato no tucupi. De barriga cheia, chamei o Raimundinho pra ir na escola pegar um pouco de internet e saber como estavam as coisas lá na minha casa. Quando cheguei, tinha um quartinho arrumado só me esperando pra dormir, abri a janela e fiquei sentindo a brisa fria refrescar o ambiente, cansado, o sono me pegou que eu nem vi.




Cesário Braga escreve todas às sextas-feiras no ac24horas


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Cesário Campelo Braga

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