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Ordem para matança em Brasiléia e Epitaciolândia partiu de presídio na Bolívia

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O clima de insegurança que se instalou na região de Brasiléia e Epitaciolândia pode ter tido origem em uma penitenciária na região de Riberalta, no interior do Departamento de Beni, na Bolívia, na fronteira com o Acre. A afirmação é do secretário de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp), coronel Paulo Cézar Santos, que enviou força-tarefa às duas cidades para combater a onda de crimes que vinha ocorrendo desde março.


A causa da explosão recente de violência que assustou as cidades da fronteira seria a morte de um traficante, chefe de uma facção criminosa na Bolívia. De acordo com o secretário, a ordem para a vingança partiu de dentro do presídio da cidade boliviana de Riberalta e, após o crime contra essa liderança, vários ataques foram registrados tanto no país vizinho quanto nas cidades acreanas que estão na fronteira.


A força-tarefa montada pelo Sistema Integrado de Segurança Pública do Acre que está mobilizada na fronteira compreende integrantes da Polícia Civil (PC), Polícia Militar (PMAC), Grupo Especial de Fronteira (Gefron), Instituto de Administração Penitenciária (IAPEN) e o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), sob a coordenação do diretor operacional da Sejusp, coronel Ulysses Araújo.

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O Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Acre também faz parte dos esforços de combate à situação e, junto com a Polícia Militar, pôs em campo a operação “Off the Rails”, no último dia 2 de abril. Já foram cumpridos 15 mandados de prisões e sete de busca e apreensão em várias cidades acreanas e no estado do Tocantins.


Nesta terça-feira (5), o diretor operacional da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp), coronel Ulysses Araújo, informou que o trabalho integrado das forças de segurança na fronteira vai permanecer na região por um período de 15 dias, podendo esse prazo prorrogado por igual período, caso seja necessário, até que a população dos dois municípios tenha de volta o clima de tranquilidade.


“Nós vamos fazer uma nova avaliação para saber da necessidade de mais 15 dias até que a gente tenha a normalidade aqui na região do Alto Acre. Nós não podemos permitir de maneira alguma que a violência aumente e a população fique à mercê de criminosos, especialmente de organizações criminosas”, afirmou.


Ulysses também relatou que o mesmo trabalho está sendo feito em outras cidades estratégicas no que diz respeito à segurança no estado, além de Rio Branco, como Cruzeiro do Sul, Sena Madureira e Senador Guiomard, onde inclusive, na última terça-feira (5) as forças de segurança fizeram prisões de cerca de 10 suspeitos de serem membros de facções criminosas e apreensões de armas que seriam usadas em confrontos.


A reportagem do ac24horas conversou com o delegado Luis Tonini, que está à frente da Polícia Civil na regional do Alto Acre a respeito dos trabalhos que estão sendo realizados. Ele disse que todos os mortos nos ataques que ocorreram na madrugada de terça-feira em Brasiléia possuíam envolvimento com o crime – uns mais e outros menos, mas todos inseridos no contexto da criminalidade.


“Todos esses que foram mortos têm envolvimento com o crime organizado. Eles são integrantes, inclusive, alguns com passagem por tráfico de drogas e por tentativa de homicídio. No entanto, dois deles são apenas ‘noiados’, o que a gente chama de ‘colados’, que se enveredaram pelo mundo do crime. Não há nenhuma dúvida de que isso é uma guerra declarada entre grupos criminosos”, disse o delegado Tonini.


A imprensa na região da fronteira chegou a divulgar que ocorreram 10 assassinatos nas cidades de Brasiléia e Epitaciolândia de março até agora. Um levantamento feito pelo ac24horas mostra que aconteceram pelo menos 9 mortes por homicídio com as características de execução, comuns nos confrontos entre organizações criminosas.


Os crimes começaram a ser registrados no dia 14 de março com a morte de Antônio José Souza de Paiva, de 26 anos, assassinado com cinco tiros na Invasão do Nazaré, em Brasiléia.


Nove dias depois, em 23 de março, foi registrada a morte de Ismael Leite do Nascimento, de 31 anos, também em Brasiléia. Um morador de rua que filmava a enchente que atingia a cidade naquele dia registrou os tiros que teriam matado a vítima. Com mais cinco dias, Vanderlan da Silva Progênito, de 29 anos, foi assassinado a tiros em um bar no bairro Aeroporto, em Epitaciolândia, interior do Acre.


No dia 30 de março, Rafael de Araújo, de 17 anos, foi assassinado com dois tiros, também em Brasiléia. No dia 2 de abril, a vítima foi Eliton Messias de Lima, de 19 anos, morto com três tiros por dois homens que chegaram em uma bicicleta quando ele estava em um campinho de futebol.


O auge da crise de segurança se deu na madrugada da última terça-feira, com as mortes de Lucas Bandeira Barbosa, de 23 anos, André Gustavo Sales de Oliveira, de 16 anos, e Wanderson Souza e Silva, de 17 anos, em um único ataque, no bairro Leonardo Barbosa. Horas depois, Marcos Antônio de Oliveira Viana, de idade não informada, foi morto no Ramal do Nazaré.


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