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Aparições da loira da curva do Tucumã…

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Nas décadas de 60 e 70, na curva do Tucumã, na estrada que vai para o Quinary, aparecia um espectro que assombrava a todos que ousassem distraidamente passar pelo local na hora errada. Foram tantos os casos que até hoje não se sabe se era verdade ou mais uma lenda urbana.

À época, a “loira da curva do Tucumã” era manchete dos jornais, programas de rádio e comentários por toda a cidade. Muitas aparições alimentavam o imaginário popular. Havia um grande burburinho na cidade toda. Não havia internet, celulares, computadores. Redes sociais, nem pensar. Era ficção científica.

Não foram poucos os casos narrados nos mercados, no comércio, nas igrejas, nos bares, barbearias e nas casas de família sobre o aparecimento da alma dessa mulher que, segundo contavam, morreu em um acidente de carro como tantas outras pessoas na famigerada curva, até hoje muito sinistra. A loira era uma alma desencarnada perambulando no lugar da própria tragédia.

A curva era tão perigosa que teve um caminhão (tipo pau-de-arara) que levava peões para uma fazenda. O veículo capotou na curva da morte matando vários deles. Foram dias muito tristes. Moradores próximos da antiga fazenda do seu Tufic Asmar contavam que era muito comum ouvir a noite lamentos de gente desencarnada naquele trecho da estrada.

O CASO DA LOIRA…

Um dos casos mais comentados na cidade. Foi manchete por vários dias dos jornais daquele tempo. Aconteceu em um dia de verão quando a estrada ainda era de chão. Por volta de 21h, cedo da noite, o clima estava abafado, um mormaço sufocante. Um taxista foi parado na saída do Quinari para Rio Branco por uma mulher branca, loira, olhos de peixe morto, toda vestida de branco. Foi assim que ela foi descrita por muitos que a viram.

Gentilmente ele parou o fusca amarelo, o carro mais popular entre os taxistas de então. A princípio, não percebeu nada de diferente. Parecia tudo muito normal. Ela não quis conversar. Ficou em silêncio o tempo todo no banco de trás. A luzinha fraca do velocímetro não era suficiente para aplacar a escuridão daquela noite sem lua. Atrás do carro, tudo bem escuro. Como a loira era pálida, vestida de branco ele percebia o vulto pelo retrovisor.

O taxista percebia também, no escuro, a sombra daqueles olhos fixos e neutros olhando para o infinito, contemplando o abismo que existe além da vida. Um olhar enigmático, como de alguém que viu algo e não acreditou. Um olhar congelado pelo espanto.

Nesse tempo não existia nenhum tipo de iluminação na estrada como se vê nos dias de hoje. Segundo o taxista narrou, havia alguma coisa muito esquisita na mulher que ele só percebeu depois: O cheiro que ela exalava era de uma planta conhecida como cravo de defunto, a flor dos mortos. Isso ele contou no Mercado da Seis de Agosto entre os amigos.

Pois bem, o motorista vinha tranquilamente achando que tudo estava normal. Ao aproximar-se da curva do Tucumã sentiu um arrepio na espinha que foi do cóccix até a nunca. Diminuiu a velocidade para entrar na curva para, em seguida, acelerar engatando a terceira e a quarta marcha do fusquinha, que era sua grande paixão desde que abandonou o seringal para vir para a cidade. Não queria viver e morrer como os irmãos embrenhado nas matas. Migrou para Rio Branco atrás de um político que prometeu que ele seria policial civil. Não deu certo, virou taxista.

Por aqueles dias, a Vila Acre só tinha meia dúzia de casas, a luz era muito fraca. Quando ele chegou na frente de onde é hoje o Parque Chico Mendes sentiu a estranha passageira suspirar bem fundo provocando um som de engasgo, incompreensível. Em seguida deu um gemido de quem se espreguiça quando acorda.

Foi a conta de olhar para trás pelo retrovisor do fusca: Que susto! A mulher branca, loira, vestida de noiva com o olhar de peixe morto não estava mais no banco de trás do carro. Ele imaginou que ela poderia ter afastado para trás do banco dele, que nada! Ela tinha sumido mesmo. Desapareceu completamente sem dizer nada.

O taxista foi tomado de pavor e pânico. Na velocidade que pode imprimir ao fusca conseguiu chegar em um prostíbulo chamado de “Porta Aberta” (muito famoso naquele tempo), que ficava ao lado do posto policial da Corrente, na entrada da cidade. Muito nervoso, ofegante, o coração disparado, gaguejando muito foi acolhido pelas prostitutas que chamaram os policiais e o levaram ao velho Pronto Socorro. Foi medicado com calmantes e depois liberado.

Na manhã seguinte, no Mercado da Seis de Agosto, um dos pontos de comércio mais movimentados da cidade na época, as pessoas o cercavam para que contasse como foi o encontro com a loira da curva do Tucumã, o fantasma. Como era ela? Como é um fantasma? Até aumentou o número de passageiros no seu carro, todos querendo saber de sua experiência com a Loira. Ele contava detalhadamente gabando-se de ter sobrevivido ao choque com o desconhecido, com o mundo dos mortos. Com uma alma vagante.

Com o passar dos anos, o asfaltamento da estrada, a iluminação de vias públicas, a invasão do Benfica pelos vivos, a loira da curva do Tucumã foi sumindo na poeira do tempo. Essa narrativa se somou a tantas outras lendas sobre a Curva do Tucumã, chamada na época de a curva da morte.

A Rio Branco das décadas de 60 e 70 era cheia de lendas urbanas que povoavam a imaginação das pessoas. Como já disse, a loira da curva do Tucumã era uma delas. Ainda hoje muitos afirmam ter vivido essa bizarra experiência do além. Juram ter visto a loira da curva da morte e que não é lenda coisa nenhuma.

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