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Diário do Acre: Nari Bela Flor, Ramal do Santana, Ramal do 12 e a Estrada Velha/ Epitaciolândia

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O sol quente já castigava a terra seca quando cheguei para buscar o Messias. Além de uma boa companhia, Messias conhece bem cada palmo de terra de Epitaciolândia e os moradores pelo apelido e o nome.


Seguimos para a comunidade Nari Bela Flor, uma vilinha bem próxima à cidade, que agora está sendo chamada de Vila Progresso. Lá, encostamos na casa da dona Ana, que avistando o Messias de longe nos mandou entrar. Serviu um café quentinho e um pedaço de queijo enquanto nos contava sobre os dias de pandemia.


Antes de sairmos, fomos no curral encontrar com Reginaldo, Ronaldo e Edinaldo, que ainda estavam na lida do leite. As vaquinhas e seus bezerros não se incomodavam enquanto eles enchiam os baldes e conversávamos sobre o feitio e a venda do queijo para os bolivianos.

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Adiante entramos no ramal do Santana, com o tempo quente e seco deixávamos uma cortina densa de poeira por onde passamos. Mesmo com verão castigando, o ramal ainda não viu máquina este ano e as pontes perigam cair! Como disse um morador mais adiante, “ainda vamos ver um boiadeiro caindo dessas pontes”.


Paramos na casa do Dill, que estava se arrumando para vir na cidade, mas não estava avexado, nos mostrou sua criação de porcos, alguns mestiços com javali. Ele me contou a história da sua última caçada, enquanto seu filho Samuel pinotava no sofá pra lá e pra cá.


Tiramos para o ramal do 12 até a casa do Isaac e da dona Ana. Seu Isaac não estava bem, o jantar do dia anterior lhe ofendeu o estômago. Oferecemos carona para cidade, mas, o teimoso preferiu ficar tomando chá de casca de laranja sob os cuidados de dona Ana.


Mais à frente a poeira subia alto no campo próximo a casa que íamos parando, dona Adiana, que nos mandou subir avisou que seu esposo Jorginho estava aradando a terra. Ele não demorou a chegar e tomando um suco, nos contou sobre o desafio de produzir sem ajuda.


Messias apressou a conversa avisando que o Genésio, amigo onde almoçaríamos, já estava com a barriga roncando. Corremos até lá para nos deliciarmos com uma galinha caipira e um bom churrasco de costela. Sempre de bom humor, Genésio já foi avisando de longe que estava morrendo de fome, afinal de contas, quem levanta as quatro da manhã pra tirar leite, antes de meio dia já quer comer.


Desviamos nossa viagem para voltar na cidade, Messias recebeu um pedido de ajuda de um amigo, era seu Déda, que acabará de tirar um caroço de chumbo dos peitos e queria uma carona pra casa. Buscamos o Déda e voltamos ao ramal do 12 ouvindo a história do chumbo.


Deus salvou o Deda numa caçada, foi atingido por um tiro perdido de uma 16, que lhe perfurou em 5 lugares atingindo fígado, pulmão e um caroço se alojou perto do coração. Foram mais de 7 horas na viagem de volta da caçada baleado e ele ainda está vivo pra contar!


Atalhamos a viagem e saímos na estrada velha. Um trecho antigo da BR que a muito virou ramal, fomos até a casa do seu Mundinho. O encontramos trabalhando nas baias com os porcos, mundinho um amigo antigo, perguntou como todos estavam e fez questão de me dizer que acreditava que dias melhores virão.


Enquanto cruzávamos a estrada velha, que margeia matas bolivianas, a caminho da BR para retornar à cidade, Messias me falava de sonhos. Eu mergulhado naquele ambiente de novos e velhos amigos que visitei sonhava junto, confiante nas palavras do seu Mundinho de que os dias melhores virão.


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